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Microbiologia

Um surto epidémico de pneumonia grave, surgido entre os participantes na 58ª Convenção da Legião Americana de 1976, em Filadélfia, conduziu a estudos que permitiram o isolamento do agente, uma bactéria até aí desconhecida, que Brenner e colaboradores caracterizaram mais tarde como um novo género, Legionella e espécie L. pneumophila.

Atualmente conhecem-se 59 espécies (2014) dentro deste género que se subdividem em mais de 70 serogrupos (sg), estando algumas delas associadas a doença no homem. Aproximadamente 90% das infeções têm sido atribuídas a L. pneumophila sg1. Cabe aqui chamar a atenção para o facto de, apesar de a espécie L. pneumophila ser a mais virulenta e possuir pelo menos 16 serogrupos, conhecidos, o método de diagnóstico laboratorial mais utilizado em todo o mundo nos últimos quinze anos, a pesquisa de antigénios na urina (antigenúria), apenas permite detetar o serogrupo 1, o que causa enviesamento na percentagem acima referida.

Exemplos de outras espécies que têm sido associadas a infeção no homem são a L. bozemanii, L. longbeachae, L. feelei, L. gormanii e a L. spiritensis, entre outras.

Este microrganismo caracteriza-se por ser um bacilo de Gram negativo, pleomórfico, aeróbio e móvel (com um ou dois flagelos polares).

Ubíquo da água doce ambiente e de crescimento lento, necessita de ferro e cisteína para o seu metabolismo, sendo a temperatura ótima de multiplicação entre 22 e 45 ºC.

Parasita intracelular de protozoários como as amibas (hospedeiro natural), demonstra essa necessidade também no interior do organismo humano, utilizando os macrófagos alveolares como hospedeiro acidental.

Sobrevive no interior de biofilmes, quer em ambiente natural quer em sistemas artificiais criados pelo homem e que possuam também as características de humidade, nutrientes e temperatura acima referidas.