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DGS publica Boletim de Atualização dos Registos de Mutilação Genital Feminina 2025

DGS publica Boletim de Atualização dos Registos de Mutilação Genital Feminina 2025

Entre janeiro e dezembro de 2025 foram efetuados 292 registos de mutilação genital feminina (MGF), correspondendo a um aumento de 15% relativamente ao período homólogo do ano anterior, de acordo com o Boletim de Atualização dos Registos de Mutilação Genital Feminina – Ano de 2025, publicado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Ao longo da última década tem-se verificado um aumento progressivo do número de registos de MGF na plataforma Registo de Saúde Eletrónico – Área do Profissional (RSE-AP). Esta evolução reflete a crescente sensibilização e capacitação dos profissionais de saúde para a identificação e o registo destas situações, não significando, necessariamente, um aumento da prática. Em 2025, não foi registado qualquer caso de MGF realizado em Portugal.

A maioria dos casos foi identificada no âmbito da vigilância da gravidez, do parto e do puerpério, reforçando a importância destes contactos com os serviços de saúde na deteção e acompanhamento das mulheres sobreviventes desta prática. O boletim evidencia, igualmente, uma maior abrangência territorial dos registos: embora a maioria continue a ser efetuada na região de Lisboa e Vale do Tejo, em 2025, verificou-se um aumento de registos realizados por unidades de saúde das regiões Norte, Centro e Algarve, refletindo o reforço da capacitação dos profissionais de saúde em todo o território nacional.

Em 2025, a idade média em que a MGF foi registada como realizada foi de 7,7 anos (mediana de 5,5 anos), tendo cerca de 70,7% das mutilações ocorrido até aos 9 anos de idade. Foram registadas complicações em 155 mulheres (53,1%), destacando-se as complicações psicológicas, obstétricas, da resposta sexual e uro-ginecológicas.

Em 87,3% dos casos foi ainda registada a intervenção dos profissionais de saúde no esclarecimento dos direitos da mulher, numa perspetiva educativa e preventiva.

A monitorização contínua dos casos de MGF constitui um importante instrumento para apoiar a definição de estratégias de prevenção, proteção e prestação de cuidados de saúde, contribuindo para o compromisso nacional de eliminação desta prática e para uma resposta cada vez mais qualificada às mulheres e raparigas sobreviventes.

Consulte o Boletim de Atualização dos Registos de Mutilação Genital Feminina – Ano de 2025 aqui: