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DGS quer reforço de medidas para reduzir resistência a antibióticos.

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O Subdiretor-Geral da Saúde, André Peralta-Santos, alertou para a necessidade de reforçar medidas que previnam as infeções e reduzam as resistências das bactérias aos antibióticos, numa conferência online a propósito do Dia Europeu do Antibiótico, que se assinala a 18 de novembro. "As infeções são uma das três grandes ameaças à saúde identificadas no contexto europeu. Estima-se que mais de 35 mil pessoas morram por ano na Europa na sequência de resistências a antibióticos. Este número, com as alterações climáticas, tende a aumentar". 

José Artur Paiva, diretor do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistências a Antimicrobianos (PPCIRA) da Direção-Geral da Saúde, reforçou esta realidade, citando números de um relatório do ECDC: "Em 2020, houve 256 anos de vida perdidos, ajustados por incapacidade, por 100 mil habitantes e 10 mortes por 100 mil habitantes atribuíveis a infeções causadas por bactérias resistentes a antibióticos".

Ana Lebre, do PPCIRA, destacou que cerca de um em cada 10 doentes internados em hospitais de agudos apresentavam uma infeção associada aos cuidados de saúde (IACS). “Em 2017 verificámos uma melhoria destes resultados, para 7,8%”, mas a avaliação realizada em maio de 2023 mostra um novo agravamento, ainda que associado também a algumas diferenças metodológicas, como a inclusão das infeções adquiridas em unidades de cuidados continuados e em lares. Quatro tipos de infeção hospitalar – pneumonias, infeções respiratórias baixas, infeções urinárias e as infeções associadas a cirurgias – são responsáveis por cerca de três quartos do total das IACS.

Carlos Lima Alves, vice-presidente do INFARMED, I.P. apresentou na conferência os dados sobre o consumo de antibióticos em meio hospitalar e em ambulatório entre 2013 e 2023, dados que revelam uma tendência crescente. A pandemia acarretou “uma diminuição abrupta do consumo”, em 2021, causada fundamentalmente pelo consumo em ambulatório, devido a uma redução das infeções, mas em 2022, observou-se “um aumento súbito e muito expressivo” do consumo global de antibióticos, comum a todos os países da Europa.

Uma nota mais positiva é o facto de, até setembro de 2023, haver "uma ligeira desaceleração deste crescimento”, que corresponde ao que está a acontecer fundamentalmente em ambulatório, adiantou Carlos Lima Alves.

Manuela Caniça, do Instituto Nacional de Saúde, Dr. Ricardo Jorge, destacou uma quebra generalizada das resistências das principais bactérias em bactérias. No entanto, mantém-se a preocupação, por exemplo, com a Klebsiella pneumoniae, pela sua taxa de resistência elevada aos carbapenemos (antibióticos de última linha), apesar da ligeira redução). 

A DGS, o INFARMED, I.P. e o INSA lançaram, no âmbito da Semana Mundial e do Dia Europeu do Antibiótico, uma campanha de sensibilização em conjunto com o ECDC, para alertar para estas medidas de combate à infeção e às resistências a antimicrobianos.

Destacando a evolução do portefólio de antibióticos, sem novas respostas nos anos recentes, José Artur Paiva referiu que "arriscamos passar de um mundo com antibióticos para um mundo com antibióticos, mas com efetividade mais reduzida".

Por esse motivo, referiu os seis grandes pilares da estratégia do PPCIRA: a literacia e envolvimento do cidadão, a redução da infeção pela prevenção, a melhor prescrição de antibióticos, com programas de apoio, a criação de indicadores e acesso a informação clínica, a perceção de que as políticas têm de ser One Health e, finalmente, a área legislativa.