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Informação sobre internamentos no âmbito da pandemia de COVID-19

Informação sobre internamentos no âmbito da pandemia de COVID-19

A Direção-Geral da Saúde (DGS) procede ao apuramento de três tipos de indicadores importantes relativamente aos internamentos no âmbito da pandemia de COVID-19. 

1. Diariamente, as Administrações Regionais de Saúde recolhem manualmente de forma agregada junto dos hospitais o número total de camas ocupadas por pessoas com infeção por SARS-CoV-2/COVID-19 em enfermaria e em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI). 

Estes dados são comunicados à Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), que os processa e valida, partilhando-os posteriormente com a Direção-Geral da Saúde para divulgação.

A monitorização desta informação de saúde é importante para fins de planeamento de cuidados hospitalares, para garantir que a capacidade de resposta hospitalar é mantida e para que sejam implementadas medidas de controlo de infeção. Este indicador fornece, portanto, em tempo real, mas sem grande detalhe, informação relativa à pressão sobre os serviços de saúde decorrente do número de doentes com infeção por SARS-CoV-2. 

A Direção-Geral da Saúde divulga estes dados através do Relatório de Situação Diário (boletim diário). 

Divulga ainda, semanalmente, no Relatório de Monitorização das Linhas Vermelhas para a COVID-19, a proporção de camas de cuidados intensivos ocupadas relativamente à capacidade máxima definida como nível de alerta, no Continente e por região de saúde, e a caracterização das pessoas que as ocupam. Estes dados traduzem a capacidade hospitalar e o impacto na prestação de cuidados de saúde.

2. Interessa ainda conhecer a proporção de pessoas com infeção por SARS-CoV-2 que estão internadas por consequência direta da infeção. 

A distinção entre um diagnóstico principal (o que motivou o internamento) e um diagnóstico secundário (não motivou o internamento, p. ex. pessoa com uma fratura que é diagnosticada com SARS-CoV-2) de COVID-19 ocorre no momento da alta hospitalar emitida pelo médico. 

Cada diagnóstico é posteriormente codificado na base de dados que inclui todos os episódios hospitalares de internamento em Portugal (BDMH). 

Estes diagnósticos decorrem sempre da avaliação clínica, ficando os dados disponíveis cerca de 2 meses após a data da infeção. 

Historicamente, pela análise dos dados de internamentos referentes ao período entre 02/03/2020 e 10/12/2021, verifica-se que, das pessoas internadas com uma infeção por SARS-CoV-2, cerca de 75% estavam internadas por consequência direta dessa infeção.

A evolução temporal da proporção de internamentos por COVID-19 (diagnóstico principal) entre o total de internamentos com infeção por SARS-CoV-2 (diagnóstico principal e secundário) é apresentada na figura 1. 

Com os elevados níveis de infeção na comunidade e a menor gravidade associada à variante Ómicron, é provável que este valor venha a reduzir-se. No entanto, o seu apuramento com rigor apenas é possível 2 meses após o internamento.

 

Figura 1. Proporção de casos de infeção por SARS-CoV-2 / COVID-19 internados por COVID-19 (diagnóstico principal), mensal, no Continente em Portugal, entre 02/03/2020 e 10/12/2021. Fonte: BDMH, ACSS; Autoria: DGS

3. Risco de internamento por causa da COVID-19 (diagnóstico principal) entre pessoas infetadas com SARS-CoV-2.

A informação sobre o diagnóstico principal é ainda importante para conhecimento da gravidade da doença, aferida através do risco de uma pessoa infetada com SARS-CoV-2 ser internada devido à COVID-19.

Uma vez que o estado vacinal e a idade influenciam de forma importante o risco de internamento, a Direção-Geral da Saúde divulga esta informação por grupo etário e estado vacinal no Relatório de Monitorização das Linhas Vermelhas para a COVID-19. 

Por exemplo, entre as pessoas infetadas com idade igual ou superior a 80 anos:

  • Por cada 100 pessoas sem um esquema vacinal completo, cerca de 19 pessoas foram internadas por causa da COVID-19;
  • Por cada 100 pessoas com um esquema vacinal completo, cerca de 8 pessoas foram internadas por causa da COVID-19;
  • Por cada 100 pessoas com uma dose de reforço, cerca de 4 pessoas foram internadas por causa da COVID-19.

A DGS continua a proceder à partilha de informação com os cidadãos e órgãos de comunicação social, de forma regular e transparente, através dos seus relatórios diários e semanais ou de comunicados e relatórios, quando oportuno.