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Portugal atinge a menor mortalidade cardiovascular das últimas três décadas

Portugal atinge a menor mortalidade cardiovascular das últimas três décadas

Entre 2012 e 2023, Portugal registou uma redução relevante da mortalidade por doenças do aparelho circulatório. Em 2023, a proporção de óbitos por estas doenças atingiu o valor mais baixo das últimas três décadas, segundo o relatório “10 Anos das Doenças Cérebro e Cardiovasculares em Portugal (2013–2023)”, publicado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Programa Nacional para as Doenças Cérebro e Cardiovasculares (PNDCCV).

As doenças cérebro e cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal, representando cerca de 25% do total de óbitos. No entanto, a sua proporção tem vindo a diminuir de forma sustentada, aproximando-se pela primeira vez da observada para os tumores malignos. Portugal apresenta atualmente indicadores de mortalidade cérebro e cardiovascular iguais ou inferiores à média europeia.

Nos cuidados de saúde primários registaram-se melhorias relevantes entre 2015 e 2024, com aumento da proporção de doentes com pressão arterial controlada e de pessoas com diabetes com níveis de colesterol LDL controlado, bem como um aumento marcado das consultas de cessação tabágica, sinalizando melhor controlo dos fatores de risco cardiovasculares.

Na última década, os internamentos por doenças do aparelho circulatório diminuíram 19%, refletindo ganhos em prevenção, melhoria da resposta assistencial e avanços terapêuticos. Verificou-se igualmente uma redução consistente da mortalidade hospitalar por enfarte agudo do miocárdio (EAM) e acidente vascular cerebral (AVC). Entre 2017 e 2023 registaram-se 198.927 internamentos por doenças cérebro e cardiovasculares, dos quais mais de 80% corresponderam a AVC agudo.

No mesmo período observou-se, também, uma melhoria consistente da letalidade intra-hospitalar no enfarte agudo do miocárdio e no acidente vascular cerebral isquémico, associada a um notório aumento do acesso a terapêuticas avançadas de reperfusão.

A insuficiência cardíaca destaca-se como um dos principais desafios da próxima década. Apesar de uma redução de 37% nos internamentos, a mortalidade associada mantém-se elevada, refletindo o peso da doença crónica e do envelhecimento. Mais de 65% dos internamentos por AVC e insuficiência cardíaca ocorrem em pessoas com mais de 70 anos. No entanto, a consolidação das Vias Verdes do AVC e da Via Verde Coronária teve impacto direto na sobrevivência dos doentes.

Nos dados agora apresentados são identificados desafios, nomeadamente desigualdades regionais no acesso a cuidados diferenciados, a elevada letalidade dos AVC hemorrágicos, o crescente número de adultos com cardiopatia congénita e a necessidade de reforço da reabilitação cardiovascular e da integração de cuidados.

O Relatório evidencia também uma transformação tecnológica marcada, com crescimento sustentado dos procedimentos minimamente invasivos e maior recurso a terapêuticas avançadas, alinhando Portugal com os padrões europeus de cuidados cardiovasculares.

Leia o Relatório aqui.


Anexos:

Tabelas Suplementares Cardiopatias Congénitas

Reabilitação Cérebro Cardiovascular

- Metodologias