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Programa Nacional de Vacinação celebra 60 anos com reforço da inovação, confiança e alargamento da vacinação

A sessão comemorativa dos 60 anos do Programa Nacional de Vacinação (PNV), assinalados no dia 3 de outubro de 2025, reuniu na Fundação Champalimaud, em Lisboa, responsáveis da saúde pública, investigadores e representantes da sociedade civil, para celebrar os marcos históricos do programa e apresentar as novas linhas estratégicas para o futuro da vacinação em Portugal, com foco na inovação tecnológica, combate à hesitação vacinal e ao alargamento das faixas etárias abrangidas por vacinas como a do HPV.
O papel histórico do PNV na evolução da saúde pública, na erradicação e controlo de doenças infeciosas em Portugal, o impacto direto na redução da mortalidade infantil e a confiança da população no sistema de vacinação foram as principais mensagens destacadas na sessão inaugural por Leonor Beleza, Presidente da Fundação Champalimaud, que acolheu o evento, por Ana Paula Martins, Ministra da Saúde e por Rita Sá Machado, Diretora-Geral da Saúde.
A Ministra da Saúde deixou uma mensagem em vídeo, onde enalteceu a importância histórica e atual do programa.
Na sua mensagem, Ana Paula Martins destacou ainda o papel da vacinação como um ato coletivo de confiança: “Cada vacinação representou um ato de confiança. Confiança na ciência, no sistema de saúde e no valor da solidariedade coletiva”, afirmou, reiterando o compromisso do Governo em manter o acesso universal e gratuito ao programa.
A Diretora-Geral da Saúde, Rita Sá Machado, encerrou a sessão inaugural com um discurso centrado no balanço dos resultados históricos do PNV, na apresentação de novas medidas estratégicas e na visão de futuro para a imunização em Portugal.
“Podemos afirmar com orgulho que este programa transformou profundamente a saúde pública do nosso país”, “permitiu alcançar a erradicação da varíola, a eliminação de seis doenças outrora endémicas e o controlo rigoroso de muitas outras”, afirmou, sublinhando a importância da confiança da população, e o papel decisivo dos profissionais de saúde e das instituições para o sucesso alcançado.
Durante a sua intervenção, a Diretora-Geral da Saúde, anunciou ainda o alargamento da vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV), como parte da estratégia nacional para a sua eliminação. A partir de 2026, a vacina passará a estar disponível até aos 26 anos de idade, para raparigas e rapazes, com recuperação das coortes não abrangidas anteriormente: “A vacinação contra o HPV será alargada até aos 26 anos, para raparigas e rapazes, com catch-up dessas coortes. Também será adotado um esquema de 3 doses para pessoas imunocomprometidas entre os 10 e os 26 anos.”
Durante a manhã, houve a projeção de um vídeo alusivo aos 60 anos do PNV, seguida por uma mesa redonda subordinada ao tema “Inovação, Estratégia e Futuro da Vacinação e Imunização”, moderada por Hugo Rodrigues, Diretor do Serviço de Pediatria da ULS do Alto Minho, e com a participação de Carlos Lima Alves, Vice-Presidente do Conselho Diretivo do INFARMED, Natália Pereira, Chefe de Equipa da Unidade de Vacinas, Imunização e Produtos Biológicos da DGS, Marta Valente Pinto, Presidente da Comissão Técnica de Vacinação e Paulo Teixeira, Coordenador do Grupo de Trabalho das Vacinas da APIFARMA.
Um dos momentos centrais da celebração foi a apresentação pública do Livro Azul de Vacinas: Programa Nacional de Vacinação e outras estratégias de imunização, por Joana Roque, em representação da Unidade de Vacinas, Imunização e Produtos Biológicos da DGS que elaborou o documento.
O Livro Azul de Vacinas é um referencial técnico dinâmico, concebido para permitir a atualização em tempo real das estratégias nacionais de vacinação e simultaneamente um instrumento de apoio aos profissionais de saúde com a evidência científica mais recente, com uma comunicação clara, rigorosa e acessível sobre os benefícios da vacinação junto da população.
À tarde, a discussão centrou-se em temas como hesitação vacinal com Angelos Kassianos, Coordenador do projeto europeu co-OPERATOR, a apresentar estratégias baseadas em literacia em saúde, empatia clínica e abordagem comunitária.
Confiança, mitos e perceções da população foi o mote do painel moderado pela médica de Medicina Geral e Familiar, Margarida Santos, com a participação de José Albino, Presidente da Associação de Doentes RESPIRA, de Ema Paulino, Presidente da Associação Nacional das Farmácias, de Lurdes Costa e Silva, Enfermeira Especialista da ULS Lisboa Ocidental e de João de Matos, gestor e pai de duas crianças vacinadas. O painel centrou-se na importância da escuta ativa da população, no papel das farmácias e profissionais de saúde na promoção da vacinação, e em estratégias para desconstruir mitos e aumentar a adesão vacinal.
A intervenção de José Manuel Durão Barroso, em representação da Aliança Global para as Vacinas (GAVI), numa mensagem gravada, destacou o reconhecimento internacional do PNV português como modelo de sucesso, inovação e confiança.
O Secretário de Estado da Gestão da Saúde, Francisco Rocha Gonçalves, encerrou a sessão reafirmando o apoio do Governo à sustentabilidade e modernização do PNV, sublinhando que “este é provavelmente o melhor programa de vacinação do mundo” e que o seu sucesso se deve ao esforço coletivo de gerações de profissionais de saúde. “Celebrar 60 anos do PNV é celebrar vidas salvas, doenças evitadas e famílias protegidas”, afirmou, destacando ainda o compromisso do Governo em garantir “acesso universal, gratuito e baseado na evidência científica”.
Desde a sua criação em 1965, o PNV tem sido determinante na melhoria dos indicadores de saúde em Portugal, com impacto direto na redução da mortalidade infantil, erradicação e controlo de doenças transmissíveis e promoção de uma cultura de prevenção baseada na confiança da população.
Para rever os melhores momentos da sessão comemorativa dos 60 anos do PNV, clique aqui.
