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Relatório de Análise dos Registos da Interrupção da Gravidez de 2023

De acordo com os dados do Relatório de Análise dos Registos da Interrupção da Gravidez de 2023, que a Direção-Geral da Saúde (DGS) publica, foram registadas 17.124 Interrupções da gravidez (IG) por todos os motivos em 2023, verificando-se um aumento de cerca de 3% relativamente a 2022.
Os registos dos últimos dois anos alteraram a tendência decrescente que vinha a verificar-se desde 2011. No entanto, o aumento em 2023 foi bastante menor que o observado em 2022 (aumento de 15,9% relativamente a 2021).
A IG por opção da mulher nas primeiras 10 semanas da gravidez manteve-se como o principal motivo de IG em todas as idades (num total de 16559 IG, correspondente a 96,7%), seguida da IG motivada por grave doença ou malformação congénita do nascituro, que correspondeu a 488 IG (2,8% do total de IG por todos os motivos).
Durante o ano de 2023, a maioria das IG por opção da mulher nas primeiras 10 semanas de gestação continuaram a ser realizadas no setor público (65,5%). O procedimento mais utilizado nestas unidades foi o medicamentoso (98,7%) e, no privado, continuou a ser o cirúrgico (81,5%), tendo-se verificado no setor privado uma diminuição da proporção de IG realizadas através do método cirúrgico comparativamente ao último ano.
Tal como em anos anteriores, os dados revelam que a maioria das mulheres recorreu por iniciativa própria a uma unidade pública (63,2%). No entanto, verificou-se um aumento do número de referenciações efetuadas por parte dos hospitais públicos para o privado.
O tempo médio de espera para a consulta prévia nas IG por opção da mulher foi de 2,6 dias, com uma mediana de 1. No que diz respeito ao tempo médio de espera entre a consulta prévia e o momento da realização da IG por opção da mulher, este foi de 6,3 dias, com uma mediana de 5 dias. Ao longo dos anos, verifica-se estabilidade em relação à idade gestacional média com que as mulheres interrompem a gravidez, que se mantém nas 7 semanas.
O grupo etário que registou maior número absoluto de IG continuou a ser o dos 20-24 anos de idade, logo seguido dos 25-29 anos. A percentagem de IG antes dos 20 anos de idade manteve valores abaixo dos 9% (8,4%).
Em 2023, cerca de 90% das mulheres que realizaram IG por opção escolheram, posteriormente, um método contracetivo. Do total das mulheres que realizaram IG por opção, 36,2% escolheu um método de longa duração [dispositivo intrauterino (DIU), implante hormonal subcutâneo ou laqueação de trompas], o que constituiu um aumento de 1,1 pontos percentuais relativamente a 2022.
A evidência mostra que o acesso de homens e mulheres a contraceção permite reduzir o número de gravidezes não planeadas. A disponibilidade continuada dos diferentes meios contracetivos promove o pleno acesso a este cuidado de saúde. A legislação portuguesa privilegia o acesso universal às consultas de planeamento familiar e a distribuição gratuita de métodos contracetivos no SNS.
O acesso a cuidados de saúde sexual e reprodutiva seguros, atempados, acessíveis e respeitadores, é uma questão de saúde pública e de direitos humanos. Fazem parte do direito universal à saúde e são essenciais para proteger a saúde das mulheres.
Os registos obrigatórios da IG são essenciais para monitorizar e melhorar os cuidados e os direitos das mulheres e famílias.
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