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Tempestades: cuidados essenciais e comportamentos seguros

Tempestade Kristin: cuidados essenciais e comportamentos seguros

Desde a madrugada de 28 de janeiro de 2026 que várias regiões de Portugal Continental foram atingidas pelos efeitos da tempestade Kristin e, seguidamente, Leonardo. 

Para reduzir riscos é fundamental adotar medidas preventivas e comportamentos seguros, protegendo a sua saúde. 


Cuidados essenciais com água: 

todas as fontes de água não ligadas à rede pública de abastecimento (p.e. poços ou minas) devem ser consideradas potencialmente contaminadas, pelo que o seu consumo deve ser evitado;

não beber, lavar alimentos ou escovar os dentes com água da torneira que não esteja ligada à rede pública de abastecimento, a menos que haja confirmação por parte de uma autoridade/entidade oficial da sua segurança; 

nestes casos, usar água engarrafada, se disponível; 

se não tiver água engarrafada, deixar a água ferver antes de usar OU desinfetar com lixívia sem corantes, detergentes ou perfumes (cerca de 2 gotas por litro de água); 

lavar bem as mãos antes de manusear água tratada ou alimentos. 


Cuidados a ter com o saneamento: 

se possível, continuar a usar a sanita, evitando deitar água usada se a rede estiver inoperacional; 

não despejar águas residuais (como águas de lavar) em solos ou ribeiros; 

manter o lixo doméstico e resíduos sanitários afastados de fontes de água. 


Cuidados a ter com a alimentação

Informações gerais sobre segurança alimentar:

deve avaliar os sinais de degradação dos alimentos (quadro abaixo);

não deve provar alimentos para verificar se estão bons; quando em dúvida, descartar;

deitar fora qualquer alimento com cheiro, cor ou textura invulgar.


Quadro 1. Sinais de degradação por tipo de alimento 

Alimento Sinais de degradação
CarneConsistência mole ou viscosa, cor escurecida, existência de manchas, odor desagradável.
PeixeOdor desagradável, consistência mole ou viscosa. 
Produtos de charcutaria (ex: fiambre, chouriço, presunto)Alterações do cheiro, textura, sabor e viscosidade, bolores. Se embalados, embalagens opadas (“inchadas”).
Queijo fresco, requeijão e queijos para barrarCheiro alterado, bolores e aguadilha, opado (“inchado”).
Fruta e hortícolas pré-preparados e embaladosPerda de cor, com amarelecimento ou escurecimento, amadurecidos, e criação de água de condensação.
IogurtesEmbalagens opadas (“inchadas”), cheiro desagradável.
Leite abertoAlteração de cheiro e textura (coalhado).
Refeições prontas (ex: sobras e sopa)Odor desagradável, fétido, alteração da consistência, com libertação de líquido (secreções).


Informações gerais sobre frigoríficos e congeladores e conservação dos alimentos:

no frigorífico, se a interrupção de energia, não ultrapassar 12 horas, os alimentos poderão ter-se mantido em condições de segurança para consumo;

hortícolas e fruta inteiros (ex.: cenoura, tomate, couve, laranja, limão) mantêm-se, em regra, seguros mesmo após 12 horas sem energia;

o congelador mantém os alimentos congelados até 48 horas (ou 24 horas se estiver meio vazio), desde que a porta permaneça fechada;

quando a energia for restabelecida, alimentos que ainda apresentem cristais de gelo ou estejam friamente refrigerados podem, na maioria dos casos, ser cozinhados ou recongelados;

os alimentos que estiveram no frigorífico ou congelador durante a interrupção devem ser consumidos ou confecionados o mais rapidamente possível, utilizando métodos que atinjam temperaturas superiores a 75 °C;

após uma interrupção de energia superior a 12 horas, recomenda-se o descarte dos alimentos do frigorífico, com exceção dos hortícolas e fruta inteiros. 


Quadro 2. Segurança dos alimentos no frigorífico no contexto de uma interrupção de energia inferior a 12 horas

O que podemos manter?

• Queijos curados 

• Leite ultrapasteurizado, ainda fechado 

• Hortícolas inteiros 

• Fruta inteira 

• Sumos 

• Manteiga/margarina 

• Pastas de frutos oleaginosos (p.e.: manteiga de amendoim) 

• Compotas

• Molhos bem acondicionados

• Gelatinas

• Produtos de padaria e pastelaria sem cremes e recheios

O que podemos ter de descartar, mediante avaliação de sinais de alteração e/ou degradação?

• Queijo fresco e requeijão 

• Iogurtes  

• Fruta cortada ou laminada  

• Hortícolas cortados ou pré-preparados, excetuando os comprados já embalados e que se encontravam ainda fechados

• Carne  

• Peixe, marisco, moluscos  

• Charcutaria  

• Refeições prontas (ex: sobras e sopa)

• Substitutos do leite materno, embalagem aberta e leite materno

E os ovos?

Se tinha ovos no frigorífico, pode mantê-los, porém, devem ser confecionados por um método de confeção que permita atingir uma temperatura elevada, como a cozedura (p.e.: ovos cozidos) e tente utilizá-los com a maior brevidade possível.

Após um período de interrupção de energia superior a 12 horas é recomendado que todos os alimentos armazenados no frigorífico sejam descartados, com exceção dos hortícolas e da fruta inteiros.


 Cuidados a ter com a utilização de geradores:

nunca utilizar geradores em espaços fechados ou semi-fechados (casas, garagens, arrecadações, entre outros espaços), mesmo com portas ou janelas abertas;

manter o gerador afastado pelo menos 6 metros da sua casa (cerca de 2 comprimentos de automóvel ou 6 passos de adulto);

direcionar os gases de escape para longe de casas, sobretudo portas, janelas e sistemas de ventilação, tendo atenção à direção do vento, de forma a que os gases sejam empurrados para longe da habitação ou espaços de reunião de pessoas;

deixar o gerador arrefecer antes de abastecer, utilizando funis ou materiais próprios para evitar derrames.

Compreender o risco:

um gerador pequeno liberta monóxido de carbono suficiente para, num espaço fechado ou semi-fechado, matar em 10 a 15 minutos.

o monóxido de carbono é um gás invisível e sem cheiro, tóxico, que mata em silêncio, sobretudo durante a noite, ou enquanto dorme. Este é libertado por equipamentos que queimam combustível fóssil, tais como:  

   - geradores; 

   - aparelhos a gás; 

   - esquentadores e caldeiras; 

   - fornos, lareiras, braseiras e fogões; 

   - grelhadores a carvão; 

   - ferramentas e motores a combustão.

a intoxicação por monóxido de carbono pode provocar os seguintes sintomas:

   - dor de cabeça persistente; 

   - tonturas ou sensação de desmaio; 

   - náuseas e vómitos sem causa aparente; 

   - cansaço ou fraqueza fora do normal; 

   - confusão, dificuldade em pensar ou falar; 

   - sonolência excessiva; 

   - falta de ar; 

   - em casos graves: perda de consciência ou morte.

se detetar a libertação de monóxido de carbono ou sintomas de intoxicação, saia imediatamente para o exterior com todas as pessoas e ligue 112. Não deve voltar ao local até ser considerado seguro por profissionais (ex.: bombeiros).


Cuidados a ter perante a identificação de materiais/resíduos com amianto: 
afastar pessoas da área e, sempre que possível, isolar o local; evitar circulação na área até avaliação técnica; 
não varrer, aspirar ou utilizar métodos que possam libertar poeiras; 
confirmar se é mesmo amianto: ter em atenção que não é possível confirmar a presença de amianto a olho nu; a identificação exige recolha de amostras e análise laboratorial por técnicos qualificados;
em caso de materiais com amianto já no solo ou considerados resíduos, devem contactar a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou a CCDR territorialmente competente. 
para a remoção de telhas ou materiais ainda instalados, o proprietário deve contratar uma empresa especializada, devendo os procedimentos ser validados pela ACT.
Compreender o risco:
o amianto pode estar presente em telhas de fibrocimento, coberturas, revestimentos, tetos falsos, isolamentos térmicos e acústicos, gessos e estuques, entre outros;
edifícios construídos antes de 2005 apresentam maior probabilidade de conter materiais com amianto, uma vez que a sua utilização é proibida desde então;
o risco para a saúde ocorre quando há libertação de fibras de amianto para o ar, podendo estas ser inaladas; situações que envolvem quebra, corte, perfuração ou fratura dos materiais aumentam significativamente esse risco; as fibras são microscópicas, invisíveis a olho nu e podem permanecer suspensas no ar;
não mexer, cortar, perfurar ou partir o material: garantir a integridade do material é essencial.

Medidas gerais de segurança: 
perante inundações:
   - não atravessar áreas inundadas a pé ou de carro - águas podem ser mais profundas e perigosas do que aparentam; 
   - evitar contacto direto com águas das cheias; 
   - limpar e desinfetar superfícies que tenham estado em contacto com água da cheia; 
   - usar luvas e botas impermeáveis durante limpezas; 
   - não manusear aparelhos elétricos enquanto houver água acumulada no interior da casa; 
   - sempre que possível, remover água acumulada e materiais húmidos para reduzir o risco de bolor; 
nas reparações e movimentações:
   - evitar zonas com árvores instáveis ou estruturas danificadas, que podem cair a qualquer momento; 
   - evitar subir a telhados, árvores ou estruturas instáveis;
   - não utilizar escadas improvisadas ou danificadas;
   - evitar trabalhar sozinho, especialmente em reparações de maior risco;
   - evitar fazer trabalhos durante os períodos de vento e/ou precipitação forte; 
   - fazer trabalhos com o piso seco, preferencialmente;
   - sempre que possível, aguardar por profissionais ou apoio especializado;
   - se tiver de intervir, utilizar equipamentos de proteção adequados.
ter lanternas, rádio e pilhas acessíveis (se possível, evitar velas pelo risco de incêndio); 
não utilizar equipamentos improvisados para aquecimento ou iluminação;
se usar velas, apagá-las sempre bem antes de deixar o espaço;
verificar regularmente o estado de saúde das pessoas em situação de vulnerabilidade;
seguir as instruções das autoridades (Proteção Civil / IPMA / Autoridades de Saúde) para evacuações ou alertas adicionais; 
não se expor desnecessariamente aos perigos associados à tempestade, mantendo-se abrigado em locais seguros;
esteja especialmente atento a familiares, vizinhos e pessoas em situação de maior isolamento.