Alterações Climáticas e Saúde Humana

As alterações climáticas têm elevada probabilidade de se agravarem nas próximas décadas com elevados impactes sobre os sistemas naturais e sociais, sendo necessária uma atempada definição e concretização das decisões mais adequadas, dos diferentes setores de atividade, em matéria de mitigação e de adaptação.

Atualmente, as alterações climáticas constituem já uma ameaça à saúde, tendo impactes diretos e indiretos na saúde humana potenciados por determinantes ambientais, sociais e de saúde pública.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a crise climática ameaça destruir os últimos cinquenta anos de progresso no desenvolvimento, saúde global e redução da pobreza, e aumentar as desigualdades em saúde. 

O Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) concluiu que, para evitar impactes catastróficos na saúde e evitar milhões de mortes relacionadas com as alterações climáticas, a nível mundial, o aumento da temperatura global do planeta deverá ser limitado a 1,5°C.

De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), existe consenso científico de que, o aumento da temperatura global do planeta, de 2°C acima dos níveis pré-industriais, irá intensificar mudanças nos padrões meteorológicos, tais como precipitação, frequência e intensidade de eventos meteorológicos extremos como secas, ondas de calor, inundações, cheias e furacões.

A generalidade dos estudos científicos mais recentes aponta a região do Sul da Europa como uma das áreas potencialmente mais afetadas pelas alterações climáticas, carecendo de medidas de adaptação que permitam a redução do risco, quer a nível global quer a nível individual da população e dos serviços de saúde.


Principais vulnerabilidades às alterações climáticas, na Europa (regiões biogeográficas)

 

Fonte: Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças

Portugal encontra-se entre os países europeus com maior potencial de vulnerabilidade aos impactes das alterações climáticas, necessitando de desenvolver a sua capacidade de adaptação, nomeadamente em matéria de prevenção e de resposta, configurando as alterações climáticas um tema emergente em saúde pública. 

As alterações climáticas afetam determinantes ambientais, representando riscos para a saúde relacionados, nomeadamente, com o aumento de doenças associadas à poluição do ar e aeroalérgenos, eventos meteorológicos extremos, aumento da frequência e intensidade das ondas de calor, alterações na distribuição e incidência de doenças transmitidas por vetores, alterações da disponibilidade e qualidade da água e toxico-infeções.

As alterações climáticas podem levar a mudanças significativas na distribuição geográfica e sazonal e na propagação das doenças transmitidas por vetores, estando previsto o aumento do número de meses favoráveis para o seu desenvolvimento e consequente aumento do risco de doenças por eles transmitidos. Estas doenças assumem uma grande importância sendo que, em Portugal Continental, as mais preocupantes estão associadas ao mosquito Aedes aegypti (especialmente dengue). As espécies de Aedes estão presentes em regiões próximas – Aedes aegypti na Região Autónoma da Madeira e Aedes albopictus em Espanha.

A dengue é considerada um dos maiores problemas de saúde pública do mundo. É a doença com maior expansão geográfica, e do ponto de vista clínico destaca-se a ocorrência de formas muito graves com manifestações hemorrágicas e choque, com significativa morbilidade e mortalidade associadas.

Em Portugal, está, também, prevista a ocorrência, com maior frequência, de eventos meteorológicos extremos relacionados com secas e ondas de calor.

As alterações climáticas e os efeitos expectáveis na distribuição e prevalência das doenças em Portugal poderão levar ao surgimento de novas solicitações sobre os sistemas de saúde, exigindo um trabalho de adaptação que deve ser realizado o mais cedo possível para prevenir e diminuir a extensão dos efeitos sobre a população.

Atendendo a que, o clima em Portugal varia consideravelmente entre o norte e o sul, o litoral e o interior, é espectável que os impactes sobre a saúde sejam, também, distintos de região para região.


Riscos para a saúde relacionados com as alterações climáticas, vias de exposição e fatores de vulnerabilidade


Fonte: Organização Mundial da Saúde