Botulismo

O que é?

O botulismo é uma doença rara, mas potencialmente letal, causada por uma neurotoxina produzida maioritariamente pela bactéria Clostridium botulinum e raramente por outras estirpes, como C. butyricum e C. baratii. É uma bactéria que está presente em muitos locais e que consegue crescer e produzir toxinas mesmo em locais com pouco oxigénio. 1,2


É uma doença frequente em Portugal?

Não, nos últimos 4 anos, Portugal apenas tem registado casos esporádicos ou pequenos clusters de botulismo (≤ 5 casos por ano).


Como se transmite?

O botulismo humano pode referir-se a várias formas, diferenciadas pelo seu método de transmissão e pode ocorrer tanto naturalmente como artificialmente.3 Não se transmite de pessoa a pessoa.1

Consideram-se formas naturais de botulismo:

  • Botulismo alimentar, que ocorre por intoxicação causada pela ingestão de alimentos contaminados pelas neurotoxinas botulínicas;
  • Botulismo intestinal (adulto) ou infantil (intestinal em crianças com menos de um ano de idade), desenvolve-se quando há consumo de esporos de C. botulinum, que germinam e produzem toxinas no cólon;
  • Botulismo de origem em feridas, causado pela contaminação de feridas por esporos que originam bactérias que produzem e libertam toxinas.1,2,3

Estão descritas duas formas que não ocorrem naturalmente:

  • Botulismo por inalação, causado pela inalação de toxinas botulínicas libertadas acidentalmente ou deliberadamente sob a forma de aerossóis; e
  • Botulismo iatrogénico, que pode ocorrer como reação adversa após a administração de toxina botulínica em procedimentos médicos ou estéticos.1,2,3

Qual a melhor forma de prevenir?

Dado que a maioria dos casos de botulismo são transmitidos por alimentos, um aspeto crítico na prevenção da doença é o correto manuseamento e preparação de alimentos. 2,3,4

Produtos de conserva ou fermentação de preparação caseira são uma fonte comum. Alimentos provenientes de latas danificadas (latas com fendas, buracos, com entalhes ou protuberâncias) não devem ser consumidos e alimentos que não foram totalmente processados devem ser armazenados no frigorífico. Ferver alimentos enlatados caseiros durante 10 minutos inativa a toxina e torna-os seguros.2,3,4

Deve-se evitar a ingestão de mel por crianças com menos de 1 ano de idade.3,4

Quais são os sintomas?

A apresentação clássica de botulismo é a instalação súbita de disfunção bilateral dos nervos cranianos, como dificuldade em engolir, em articular corretamente as palavras, visão dupla (perceção de duas imagens de um único objeto), associada a uma fraqueza ou paralisia muscular.1,2,3

O botulismo infantil apresenta-se de forma distinta. Pode afetar crianças entre uma semana e doze meses de idade, embora a maioria dos casos apresente duas a oito semanas.5 Geralmente apresenta-se por obstipação e dificuldade de sucção, evoluindo progressivamente para diminuição do tónus muscular e fraqueza. A disfunção dos nervos cranianos manifesta-se por diminuição dos reflexos de vómito e sucção, diminuição da amplitude dos movimentos dos olhos, entre outros. 

Existe tratamento?

Sim. O tratamento passa por vigiar e dar suporte, nos casos de falência de órgão, assim como administrar antitoxina botulínica.


O que acontece quando se diagnostica um caso de botulismo em Portugal?

O botulismo faz parte de um grupo de doenças que denominadas de “doenças de notificação obrigatória” que são monitorizadas pelo sistema nacional de vigilância epidemiológica (SINAVE).5

O SINAVE disponibiliza aos médicos um formulário eletrónico para registo das notificações e envia informação e alertas aos delegados de saúde locais e regionais, que efetuam a investigação epidemiológica. Disponibiliza também informação de vigilância e estatística à Direção-Geral da Saúde (DGS).6
O sistema tem ainda integração com o Sistema Europeu de Vigilância Epidemiológica (TESSY), da responsabilidade do ECDC (European Centre for Disease Prevention and Control).6

Norma

Norma n.º 002/2025, de 31/01/2025, atualizada a 01/07/2025 - Procedimento para acesso à Reserva Estratégica Nacional de Antitoxina Botulínica


[1] World Health Organization (WHO). Botulism; Set, 2023 [consultado a 17/10/2024]. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/botulism 
[2] European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC). Botulism [consultado a 17/10/2024]. Disponível em: https://www.ecdc.europa.eu/en/botulism  
[4] Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Botulism Prevention [consultado a 02/11/2024]. Disponível em: https://www.cdc.gov/botulism/prevention/index.html
[5] Diário da República n.º 19/2021, Série II de 2021-01-28, páginas 137-190. Despacho n.º 1150 /2021: Doenças de Notificação Obrigatória; Jan, 2021 [consultado a 01/11/2024]. Disponível em: https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/despacho/1150-2021-155575942  
[6] Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS). SINAVE - Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica. [consultado a 28/01/2025]. Disponível em: https://www.spms.min-saude.pt/2020/07/sinave-2/