Ebola
Ver também o microsite da DGS sobre ébola
A Doença por Vírus Ébola (DVE) é uma doença infeciosa grave causada por vírus do género Orthoebolavirus, pertencente à família Filoviridae. Foi identificada pela primeira vez em 1976, durante surtos simultâneos na República Democrática do Congo (junto ao rio Ébola, que deu origem ao nome da doença) e no Sudão.
Trata-se de uma doença zoonótica, ou seja, pode ser transmitida dos animais para o ser humano e, posteriormente, entre pessoas.
Os morcegos frugívoros das florestas tropicais da África Central e Ocidental, são considerados o principal reservatório natural do vírus, podendo transmitir a infeção a pessoas com contacto direto com esses morcegos que poderão ainda infectar outros animais, como macacos e outros primatas não humanos, antes da infeção humana.
Existem várias estirpes do vírus Ébola, sendo o Zaire ebolavirus responsável pela maioria dos surtos e associado à maior taxa de letalidade nas áreas endémicas. A gravidade da doença varia consoante a estirpe, a rapidez do diagnóstico e o acesso a cuidados de saúde.

Fonte: ECDC (2026)
Transmissão
A transmissão da doença ocorre geralmente nas regiões endémicas onde o vírus circula entre os morcegos frugíveros.
A infeção pode ocorrer após o contacto direto com:
- Animais infetados (vivos ou mortos), incluindo sangue, tecidos e secreções, durante a caça, manipulação ou consumo de carne de animais selvagens.
- Sangue ou outros fluidos corporais (saliva, vómitos, urina, fezes, suor, leite materno ou sémen) de uma pessoa infetada e sintomática;
- Objetos ou superfícies contaminadas com esses fluídos;
A transmissão entre pessoas apenas ocorre após o aparecimento e a duração de sintomas. No entanto, o vírus pode permanecer no sémen durante vários meses após a recuperação clínica de pessoas que ficaram curadas da doença, podendo ocorrer transmissão sexual.
Período de incubação (entre o contacto com o vírus e o aparecimento de sintomas)
O período de incubação varia entre 2 e 21 dias, sendo que a transmissão apenas ocorre na fase sintomática da doença.
Sintomatologia
Os primeiros sintomas incluem:
- Febre elevada;
- Cefaleias intensas;
- Fraqueza marcada;
- Dores musculares e articulares;
- Dor de garganta.
À medida que a doença evolui podem surgir:
- Náuseas e vómitos;
- Diarreia intensa;
- Dor abdominal;
- Erupção cutânea;
- Alterações da função hepática e renal;
- Hemorragias internas e externas (em alguns casos graves);
- Falência multiorgânica.
Tratamento
O tratamento baseia-se sobretudo em cuidados de suporte, nomeadamente:
- Hidratação oral e intravenosa;
- Correção dos desequilíbrios eletrolíticos;
- Controlo da febre e da dor;
- Tratamento de infeções secundárias;
- Suporte respiratório e circulatório quando necessário.
Não existem antivirais específicos para a DVE. Alguns antivirais e terapêuticas baseadas em anticorpos monoclonais estão ainda em investigação.
Vacinação
Atualmente existem vacinas aprovadas apenas para a espécie Zairense do vírus Ébola, utilizadas sobretudo em estratégias de vacinação em durante surtos.
As vacinas não fazem parte do Programa Nacional de Vacinação português nem são recomendadas para a população em geral.
Mais informação:
- ECDC: Página sobre Ébola e Marburg: https://www.ecdc.europa.eu/en/ebola-and-marburg-fevers
- ECDC – Situação epidemiológica: https://www.ecdc.europa.eu
- Organização Mundial de Saúde (OMS): https://www.who.int/health-topics/ebola
- Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC): https://www.cdc.gov/ebola
Desde 1976 ocorreram diversos surtos de Ébola, principalmente em países da África Central e Ocidental. Estes surtos de FH têm ocorrido em regiões com presença dos reservatórios animais de filovírus e num contexto de instabilidade social e conflito armado, com capacidade limitada de deteção, diagnóstico e gestão de casos. As intervenções internacionais têm visado a contenção dos surtos nas regiões afetadas, implicando frequentemente a declaração de Emergência de Saúde Pública de âmbito Internacional (PHEIC) pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os mais relevantes incluem:
- 1976 – Descoberta do vírus Ebola (RDC e Sudão)
- 1976–2013 – Múltiplos surtos localizados em África Central e Oriental
- 2014–2016 – Grande epidemia pela estirpe Zaire ebolavirus atingindo a África ocidental (Guiné, Libéria e Serra Leoa), com mais de 28 000 casos e mais de 11 000 mortes;
- 2018–2020 – Surto na República Democrática do Congo;
- 2021–2022 – Pequenos surtos na República Democrática do Congo e na Guiné;
- 2022–2023 – Surto no Uganda causado pelo vírus Sudan.
- 2025 e 2026 – registaram-se vários surtos menores na RDC, Guiné e Uganda. A maioria foi rapidamente identificada e controlada, refletindo a melhoria dos sistemas de vigilância e resposta construídos após a epidemia de 2014–2016.
- Maio/2026: Surto de doença por vírus Ébola causado pelo Bundibugyo ebolavirus na República Democrática do Congo, com alguns casos no Uganda. A OMS declarou uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional devido ao risco de propagação.
- As informações internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre surtos ativos podem ser consultadas no seguinte link: https://www.who.int/emergencies/disease-outbreak-news
Aos viajantes com destino a áreas endémicas ou zonas com surtos ativos recomendam-se as seguintes medidas de precaução:
I. Antes da viagem:
a. Realizar consulta de viajante
b. Fazer o registo no Portal das Comunidades, preenchendo o formulário de Registo de Viajante: https://portaldascomunidades.mne.gov.pt/pt/vai-viajar/registo-do-viajante
c. Efetuar um seguro de viagem.
II. Durante a estadia:
a. Evitar o contacto com doentes sintomáticos/os seus fluidos corporais, cadáveres e/ou fluidos corporais de doentes falecidos, e todos os animais selvagens, vivos ou mortos;
b. Evitar manusear ou consumir carne de animais selvagens (carne de mamíferos selvagens ou ferais abatidos para alimentação);
c. Lavar as mãos regularmente e cuidadosamente com água e sabão (ou álcool gel quando não houver sabão disponível);
d. Praticar sexo seguro (utilizando métodos contracetivos de barreira);
e. Procurar assistência médica local o mais rapidamente possível e contactar a sua seguradora de viagem (para os viajantes que apresentem sintomas no estrangeiro).
III. Após o regresso:
a. Efetuar automonitorização ativa durante 21 dias;
b. Evitar dádiva de sangue até 60 dias após o regresso da viagem;
c. Não se deslocar a qualquer serviço de saúde, público ou privado, sem orientação prévia, devendo ligar para o SNS24 (808242424) ou contactar o médico assistente por telefone, ou ainda ligar o 112, em caso de emergência médica (para os viajantes que venham a adoecer nos primeiros 21 dias. após o regresso), mencionando os sintomas, as datas e o itinerário da sua viagem.
- Direção-Geral da Saúde (DGS) - Orientação nº 002/2026 de 30 de maio - Surtos de doença por vírus Ébola ou Marburg: revisão de procedimentos
- Direção-Geral da Saúde (DGS) - Microsite do Ébola
- ECDC - Ebola disease and healthcare settings
Como posso ficar infetado?
Através do contacto com sangue ou outros fluidos corporais de uma pessoa infetada, ou ao caçar, manipular ou consumir carne de animais selvagens infetados. O contacto com cadáveres de pessoas ou animais infetados também representa um risco. Após a recuperação, o vírus pode permanecer no sémen durante vários meses, pelo que também pode haver transmissão durante as relações sexuais.
Posso contrair Ébola por estar perto de uma pessoa infetada?
O simples contacto casual não transmite a doença. É necessário contacto direto com fluidos corporais como saliva, suor, sangue, secreções genitais.
O Ébola transmite-se pelo ar?
Não. A transmissão ocorre apenas através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infetados.
Qual é o período de incubação (tempo que pode ir desde o contacto com o vírus ao aparecimento de sintomas)?
Entre 2 e 21 dias.
Uma pessoa sem sintomas transmite o vírus?
Não. A transmissão ocorre apenas após o aparecimento dos sintomas.
Existe tratamento?
O tratamento baseia-se sobretudo em cuidados de suporte/intensivos a nível hospitalar, com perfil adequado para tratar doentes com Ébola. Para algumas infeções existem anticorpos monoclonais específicos e antivirais.
Existe vacina?
Sim, mas apenas para determinadas espécies do vírus, sendo utilizada principalmente em contexto de surtos.
O risco em Portugal é elevado?
Não. O risco é considerado muito baixo em Portugal como na maioria dos países europeus, devido aos sistemas de vigilância e aos protocolos de resposta existentes.
Quem deve procurar cuidados médicos?
Qualquer pessoa que desenvolva, no período de 21 dias, sintomas compatíveis, após viagem para uma área afetada ou após contacto com um caso suspeito ou confirmado, deve contactar imediatamente os serviços de saúde por via telefónica (médico assistente ou linha SNS24 - 808 24 24 24) e informar sobre a viagem e contexto de exposição.
