Hepatite A
Hepatite A
Últimas atualizações - surto em Portugal 2024-2025
A Direção-Geral da Saúde (DGS) informa que, de acordo com os dados de vigilância epidemiológica e laboratorial disponíveis no Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE), tem-se verificado um aumento do número de casos notificados desde 2024, face a anos anteriores, destacando-se atualmente 2 surtos:
Um surto, com casos nas regiões de saúde do Algarve, Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo, relacionado com transmissão pessoa-a-pessoa e a afetar principalmente pessoas em idade pediátrica, inseridas em comunidades que vivem em condições socioeconómicas desfavorecidas.
Surto relacionado com transmissão por via sexual, em curso desde 2024, afetando principalmente adultos, em especial homens gay, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens (GBHSH). No início de 2025, tem-se registado novo aumento do número de casos, em particular na região Norte.
Informações Gerais
- A hepatite A é uma infeção aguda, causada por um vírus ARN, membro do género Hepatovírus, da família dos Picornaviridae, designado por vírus da hepatite A (VHA) que, agora, à semelhança do que acontece em outros países europeus, exibe expressão epidémica relacionada com os seguintes comportamentos em cidadãos vulneráveis e, em particular, quando um dos parceiros está infetado:
- Sexo anal (com ou sem preservativo);
- Sexo oro-anal.
- O principal modo de transmissão é por via fecal-oral através da ingestão de alimentos ou água contaminados (pode ocorrer em pessoas que viajam para zonas endémicas), ou por contacto próximo interpessoal com pessoas infetadas;
- Embora a intensidade da epidemia atual, bem como a história natural da doença não sejam inteiramente conhecidas, a infeção por VHA pode ser assintomática, subclínica ou provocar um quadro agudo, quase sempre autolimitado, associado a febre, mal-estar, icterícia (pele e olhos amarelados), (urina escura, fraqueza, perda de apetite, náuseas, vómitos e dor abdominal;
- Uma pessoa assintomática ou com poucos sintomas também pode transmitir o vírus;
- A frequência e gravidade de sinais e sintomas depende, em regra, da idade do doente. A infeção só é sintomática em 30% dos casos com idade inferior a 6 anos. Em crianças mais velhas e nos adultos, a infeção provoca, em regra, doença clínica (hepatite aguda) em mais de 70% dos casos.
Epidemiologia
A doença é endémica em alguns países de África, Ásia, América Central e do Sul assim como em alguns países da Europa de Leste, em locais onde as estruturas de saneamento básico e de água potável são inadequadas.
A ocorrência de surtos na Europa tem sido reportada, com o último a ocorrer em 2017/2018. Na UE/EEE, em 2022, a taxa de notificação foi de 1 caso por 100 000 habitantes. Vinte países da UE/EEE tiveram taxas de notificação inferiores a 1 caso por 100 000 habitantes. Os países com as taxas de notificação mais elevadas foram Hungria (5,5), Croácia (5,3), Roménia (4,8) e Bulgária (4,4).
Documentos DGS
- Norma nº 019/2018 de 12/12/2018
- Informação – Hepatite A: vacinação de viajantes
- Informação – Situação Epidemiológica de Hepatite A de 23 de março de 2024
- Norma 016/2017 de 14 de agosto
- Comunicado do Diretor-Geral da Saúde de 17 de maio de 2017
- Norma 003/2017 de 9 de abril
Recomendações para população em geral
Medidas de prevenção da transmissão fecal-oral da hepatite A:
- Reforçar a higiene e segurança alimentar, incluindo a lavagem das mãos antes e e depois das refeições
- Reforçar a lavagem frequente das mãos e higiene pessoal, especialmente da região genital e perianal, particularmente, antes e após o uso de instalações sanitárias e antes e após a relação sexual.
Caso apresente fatores de maior risco para a Hepatite A, aconselhe-se com um profissional de saúde.
Recomendações para Viajantes
No âmbito do surto de Hepatite A, recomenda-se aos viajantes o agendamento da consulta de medicina do viajante de preferência 4 a 6 semanas antes da data de partida. Para quem tem como destino à América Latina, África e Ásia, recomenda-se a vacinação e o reforço das seguintes medidas preventivas:
Alimentos:
- Lavar bem as mãos antes e depois de manusear alimentos (confeção e ingestão);
- caso não existam lavatórios deverão utilizar soluções alcoólicas, gel ou toalhetes desinfetantes;
- ter o mesmo cuidado com os utensílios utilizados na preparação: talheres, pratos, tábuas de cozinha, bancadas, etc.;
- evitar consumir alimentos crus (ex. mariscos e saladas);
- lavar bem e descascar a fruta antes de a comer, evitando as saladas de fruta, bem como frutos cujo exterior não esteja intacto;
- evitar alimentos adquiridos a vendedores ambulantes. Caso o faça, escolha preferencialmente alimentos cozinhados a altas temperaturas e consumidos ainda quando quentes;
- escolher locais com boas condições de higiene e em que os produtos facilmente alteráveis pelo calor (ex. bolos, molhos, guisados, produtos à base de leite e de ovos, mariscos, entre outros) se apresentem bem conservados em câmaras ou montras frigoríficas;
- manter os alimentos a temperaturas seguras, acondicionados e refrigerados adequadamente;
- respeitar os prazos de validade dos produtos e acondicionar corretamente os alimentos;
- usar água tratada/engarrafada para lavar e confecionar alimentos.
Água e outras bebidas:
- beber água engarrafada (verificar se o selo está intacto);
- na impossibilidade de obter água engarrafada, consumi-la tratada:
- ferver a água durante 5 minutos, manter o recipiente tapado, utilizar nas 24h seguintes;
- desinfeção química da água: 2 gotas de lixívia por litro de água, mexer bem, aguardar durante 30 minutos e utilizar nas 24h seguintes.
- a água engarrafada deve ser descapsulada somente no momento em que é servida;
- utilizar água engarrafada ou fervida para confecionar sumos, gelo e ainda para a escovagem dos dentes;
- as bebidas engarrafadas ou empacotadas, desde que seladas, e as bebidas quentes (chá e café) são em geral seguras;
- consumir apenas produtos lácteos pasteurizados (incluindo os gelados);
- evite os sumos de fruta natural.
Para mais informações acerca das medidas de proteção a tomar em contexto de viagem, consulte a área dedicada às viagens.
Recomendações para contexto de transmissão sexual
Em contexto de transmissão sexual, deve ser reforçada a higiene pessoal da região genital e perianal antes e após as relações sexuais, bem como utilizar preservativo no sexo anal, que tem o benefício adicional de oferecer proteção contra outras infeções sexualmente transmissíveis.
Está recomendada a vacinação contra a hepatite em contexto de pós-exposição para os contactos de casos confirmados de hepatite A (coabitantes e contactos sexuais), que devem ser vacinados até 2 semanas após a última exposição.
A vacinação preventiva é aconselhada a quem tenha práticas sexuais em grupo e/ou anónimas, ou pessoas que vivem com VIH (PVVIH). O esquema completo de vacinação contempla duas doses da vacina, com 6 a 12 meses de intervalo, sendo eficaz em mais de 95% dos casos.
A vacina contra a hepatite A está atualmente disponível, mediante prescrição médica, em farmácias comunitárias.
Informação acerca de eventos anteriores
Surto em Portugal em 2017 – 2018
Em fevereiro de 2017 foi identificado um surto de hepatite A em Portugal. Este surge no contexto de um surto a decorrer na Europa, com início em fevereiro de 2016, com três clusters identificados. A quase totalidade dos casos foi identificada em HSH, durante o contacto sexual, por transmissão fecal-oral. Informação sobre o surto foi divulgada na altura - Boletim epidemiológico a 2 de abril de 2018.
