Verão » Incêndios » Efeitos do fumo dos incêndios na saúde

Os incêndios florestais são uma das maiores fontes de emissão de poluentes para a atmosfera. Os gases e as partículas produzidas como resultado dos incêndios têm impacto na composição da atmosfera e interagem com os poluentes resultantes da combustão dos combustíveis fósseis ou de outros processos tecnológicos, podendo afetar de forma adversa a saúde dos indivíduos expostos.

Quando a biomassa é queimada, o processo de combustão não é completo e os poluentes libertados a partir deste processo incluem as partículas, o monóxido de carbono, óxidos de azoto, dióxido de enxofre e compostos orgânicos.

A quantidade de poluentes emitidos e a sua toxicidade, a extensão e duração da exposição, a dispersão dos poluentes para longas distâncias, a idade do indivíduo, as suscetibilidades individuais e outros fatores podem ser determinantes para que uma pessoa desenvolva a curto ou a longo prazo problemas de saúde relacionados com o fumo proveniente dos incêndios.

O comportamento do fumo depende de vários fatores incluindo a dimensão e localização do incêndio, a topografia e as condições meteorológicas nesse local. Os níveis de fumo podem ser muito difíceis de prever e a concentração de fumo pode variar constantemente ao longo do dia. Uma vez que o fumo pode percorrer longas distâncias, não são apenas afetadas as pessoas que se encontram presentes na área circundante do incêndio, mas também outras em locais mais afastados.

A principal ameaça para a saúde resultante do fumo provém das partículas. As partículas finas e ultrafinas constituem a maior parte da poluição causada pela queima da biomassa florestal, e são o poluente atmosférico que afeta, de forma continuada mais pessoas globalmente.

As partículas são uma mistura de gotículas microscópicas sólidas e líquidas suspensas no ar, que pode ser composta por vários componentes, incluindo ácidos (nitratos e sulfatos), químicos orgânicos, metais, partículas de solo ou poeiras e substâncias alergénicas (pólenes ou esporos).

As partículas com um diâmetro inferior a 10 μm (PM 10), podem a nível da saúde conduzir a situações como irritação nos olhos, nariz e garganta e tosse, até ao aparecimento de doenças pulmonares crónicas obstrutivas. No entanto, é a fração mais fina das partículas, com diâmetro inferior a 2,5 μm (PM 2,5) que pode envolver problemas mais graves, visto que estas são pequenas o suficiente para serem inaladas e penetrar mais profundamente nos pulmões, provocando doenças respiratórias como a asma, ou inclusive penetrar na corrente sanguínea provocando a morte.

Quando o monóxido de carbono (CO) é inalado, tem a capacidade de entrar rapidamente na corrente sanguínea através dos pulmões e de se combinar irreversivelmente com a hemoglobina, substância responsável pelo transporte do oxigénio para os tecidos humanos, formando-se a carboxihemoglobina.

Quanto aos seus efeitos na saúde, o CO é responsável pela redução da capacidade de fixação de oxigénio pelo sangue, podendo causar dificuldades respiratórias e asfixia principalmente para indivíduos com problemas cardiovasculares, o que se traduz por uma diminuição da oxigenação dos tecidos e órgãos internos (cérebro, sistema cardiovascular).

Os óxidos de azoto (NOx) incluem o monóxido e o dióxido de azoto. Quando as condições são favoráveis o monóxido de azoto emitido, oxida-se fotoquimicamente na atmosfera, originando o respetivo dióxido. O dióxido de nitrogénio pode desencadear um aumento da reatividade brônquica que se traduz muitas vezes em crise de falta de ar em indivíduos com asma.

Por outro lado, na presença de radiação solar e temperatura elevadas, os óxidos de azoto podem reagir com os Compostos Orgânicos Voláteis (COV) originando, entre outros, o ozono troposférico (O3).

O ozono é um composto fotoquímico oxidante muito forte que pode provocar inflamações das vias respiratórias, asma, reduções da função pulmonar e outras doenças do pulmão. Estudos epidemiológicos mostram que os sintomas de bronquite em crianças asmáticas aumentam quando associados a uma exposição a longo prazo a NOx. (WHO, 2005)

O dióxido de enxofre (SO2) é um gás irritante para as mucosas dos olhos, nariz e garganta. A exposição prolongada a este poluente pode afetar o sistema respiratório, provocar alterações nos mecanismos de defesa dos pulmões e agravar doenças como a asma e bronquite crónica e doenças cardiovasculares existentes.

O ácido cianídrico (HCN) é produzido pela combustão tanto de materiais naturais como de materiais sintéticos nomeadamente plásticos. Sintomas como confusão mental, taquicardia e respiração acelerada podem acontecer.

A combustão de adesivos, solventes e compostos de limpeza liberta compostos orgânicos voláteis (COV). A exposição desencadeia tosse, dores de cabeça, fadiga e uma exacerbação de problemas respiratórios preexistentes.

Os efeitos dos incêndios podem ser mais sentidos em grávidas, crianças, doentes com problemas respiratórios e doentes com problemas cardíacos, trabalhadores ao ar livre, bombeiros e população envolvida.

Com o intuito de proteger a população dos efeitos do fumo produzidos nos incêndios, a DGS elaborou a Orientação n.º 16/2011, da qual constam algumas recomendações a adotar durante e após a ocorrência de incêndios.

Mais informação sobre os poluentes e a previsão da qualidade do ar pode ser consultada em:

PrevQualAR - Sistema de previsão da qualidade do ar

Mais informação sobre como reduzir os efeitos na saúde resultantes da poluição atmosférica pode ser consultada em:

OMS - Air quality guidelines