Programa Nacional de Vacinação

Perguntas e Respostas

 
Vacinação em geral

Uma vacina é uma preparação antigénios (partículas estranhas ao organismo), que administrada a um indivíduo provoca uma resposta imunitária protetora específica de um ou mais agentes infeciosos.

  • Os antigénios das vacinas podem ser vírus ou bactérias inteiros, mortos ou atenuados, ou fragmentos desses microrganismos, por exemplo, partes da parede celular de uma bactéria, uma toxina inativada, etc…
  • O antigénio escolhido para uma vacina deve ser “imunogénico”, ou seja, deve desencadear uma reação imunitária e não provocar a doença. 
  • As vacinas são consideradas medicamentos, mas apresentam várias diferenças assinaláveis relativamente aos medicamentos clássicos, tal como identificado na seguinte tabela:

 

Vacina

Medicamento

Ação

Preventiva

Terapêutica

Benefício

Individual e coletivo

O efeito não é percetível (não contrai a doença)

Individual

O efeito é visível (normalmente ocorre melhoria)

Indivíduos

Saudáveis

Doentes

 

Os processos de produção das vacinas são diversos:

  • Enfraquecendo ou “atenuando” o microrganismo através de culturas sucessivas (p. e. a vacina contra o sarampo, rubéola e papeira).
  • Extraindo do microrganismo as partes que desencadeiam a resposta imunitária (p. e. a vacina contra a meningite C)
  • Inativando (enfraquecendo) a toxina que o microrganismo produz (p. e. a vacina contra o tétano)

Nalguns casos, podem ser incluídas numa mesma vacina mais do que um microrganismo – são as chamadas vacinas combinadas (p. e. vacina contra a difteria, tétano, tosse convulsa).

 

Após tantos anos de experiência e muitos milhões de vacinas administradas em todo o mundo, pode afirmar-se que as vacinas têm um elevado grau de segurança, eficácia e qualidade.

 

Uma vacina para ser utilizada percorre um longo caminho e atravessa diferentes fases ao longo de vários anos:

  • Fase inicial: investigação em laboratório e em animais;
  • Fases de ensaio em humanos; estas fases duram normalmente vários anos e constam de 3 etapas. I, II e II, em que, e de acordo com princípios éticos rigorosos e ênfase na segurança e eficácia, as vacinas candidatas vão sendo progressivamente aplicadas a um número maior de pessoas;
  • Fase após a introdução da vacina na comunidade: vigilância estreita da eficácia a longo prazo e do eventual aparecimento de reações adversas.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresenta 7 razões que justificam a importância da vacinação:

  1. As vacinas salvam vidas: antes da introdução da vacinação de rotina das crianças as doenças infeciosas eram a principal causa de morte na infância, e eram também causa de muito sofrimento e de incapacidade permanente.
  2. A vacinação é um direito básico de todos os cidadãos: com a criação dos programas nacionais de vacinação conseguiu-se atingir uma percentagem elevada de cidadãos vacinados contra as doenças alvo desses programas, conseguindo controlar as doenças evitáveis pela vacinação, com uma enorme diminuição do número de mortos e de incapacidades.
  3. Os surtos de doenças evitáveis pela vacinação são ainda uma séria ameaça para todos: atualmente, devido ao sucesso dos programas de vacinação, a maioria das pessoas desconhece a gravidade das doenças evitáveis pela vacinação, não se apercebendo da importância e dos ganhos conferidos pelas vacinas. No entanto, com exceção da varíola, considerada erradicada pela OMS em 1980, os microrganismos responsáveis pelas doenças evitáveis pela vacinação continuam a existir na comunidade, sendo uma ameaça à saúde de todos os que não estão protegidas pelas vacinas. Como exemplo, temos os surtos de sarampo na Europa que ocorrem maioritariamente em pessoas não vacinadas, outro exemplo é o surto de poliomielite num país livre da doença e que teve origem num doente vindo de um país onde ainda existia circulação do vírus.
  4. As doenças podem ser controladas e eliminadas: com uma vacinação sustentada e em grande escala as doenças como o sarampo podem ser eliminadas da Europa, à semelhança do que ocorreu com a poliomielite e como já sucedeu com a varíola. Para que tal seja possível, é necessário que uma percentagem muito grande da população adira aos programas nacionais de vacinação.
  5. A vacinação é custo-efetiva, ou seja, o seu custo compensa largamente os custos associados ao tratamento das doenças e das suas complicações (incluindo a morte).
  6. As crianças dependem do sistema de saúde dos respetivos países para terem acesso à vacinação gratuita e segura: os programas nacionais de vacinação permitem que todas as pessoas recebam as vacinas de acordo com a sua idade e em serviços de saúde competentes.
  7. Todas as crianças devem ser vacinadas: para se conseguir controlar uma doença, é necessária uma grande proporção de pessoas vacinadas. A eliminação do sarampo, por exemplo, requer que pelo menos 95% das pessoas estejam vacinadas. Cada pessoa não vacinada corre o risco de adoecer e aumenta o risco de transmitir a doença na comunidade.

 

Em geral, os efeitos causados pelas vacinas são ligeiros e desaparecem sem ser necessário tratamento, como dor ou vermelhidão no local da injeção ou um aumento ligeiro da temperatura ou dor de cabeça.

Em raríssimos casos podem verificar-se reações secundárias mais sérias, mas os serviços de vacinação estão treinados para as controlar. De qualquer modo, como prevenção, é sempre aconselhada a permanência no serviço de vacinação por 30 minutos a seguir à administração de qualquer vacina.

 

Há algumas décadas atrás, milhares de crianças e adultos morriam ou ficavam incapacitados por doenças como a varíola, a difteria, a tosse convulsa, a poliomielite e o sarampo.

Hoje em dia a situação é muito diferente, devido aos programas de vacinação, que permitiram erradicar a varíola e controlar as outras doenças. A maioria dos pais de hoje, e também alguns profissionais de saúde, nunca viram uma criança paralisada por poliomielite, a sufocar por causa da difteria, com lesões cerebrais por causa do sarampo, ou a morrer por causa de uma tosse convulsa, não tendo portanto a noção da gravidade dessas doenças e dos benefícios incalculáveis conferidos pela vacinação em larga escala.

A vacinação pode ser vítima do seu próprio sucesso. A eliminação ou o controlo das doenças evitáveis pelas vacinas incluídas no Programa Nacional de Vacinação pode alterar a perceção do risco, com a falsa sensação de que há um maior risco decorrente da administração das vacinas do que das doenças por elas prevenidas.

As vacinas são seguras e eficazes. Todas as crianças e adultos devem cumprir os esquemas de vacinação recomendados para a sua idade e estado de saúde.

 

O incómodo causado pela injeção é habitualmente um desconforto momentâneo, que pode ser minorado distraindo a criança e evitando demonstrar ansiedade durante o ato vacinal. Se o desconforto persistir, pode fazer-se uma ligeira massagem local ou aplicar um pouco de gelo, sem fazer pressão. Os bebés podem ser amamentados enquanto estão a ser vacinados ou logo depois.

 

As raras situações em que se deve respeitar um intervalo mínimo de 4 semanas referem-se à administração de duas vacinas “vivas”, quando não são administradas no mesmo dia.

Estas situações são bem conhecidas dos profissionais de saúde e não se aplicam ao esquema recomendado no PNV, que apenas inclui uma vacina “viva” (VASPR aos 12 meses e aos 5 anos).

Os intervalos entre as doses de vacinas recomendados no PNV permitem a aquisição de proteção contra o maior número de doenças o mais precocemente possível.

 

O tempo até se atingir a proteção contra a doença depende da vacina. Para algumas vacinas, por exemplo contra a difteria, tétano e tosse convulsa são necessárias 3 doses em intervalos recomendados para se considerar que existe proteção completa contra essas doenças, sendo também necessários reforços regulares para manter essa proteção ao longo do tempo.

Mesmo nas vacinas que necessitam de várias doses, após cada administração já poderá haver alguma proteção (incompleta), que surge geralmente 2 semanas ou mais após cada dose.

 

Os bebés prematuros têm menos anticorpos recebidos da mãe através da placenta do que as crianças nascidas com tempo de gravidez normal, pelo que as doenças podem ser mais graves nesses bebés. Assim, a vacinação não deve ser adiada. A única exceção é a vacina contra a hepatite B, que deverá ser dada ao fim do 1º mês de vida ou quando o bebé atingir os 2 quilos (o que se verificar primeiro).

A vacina BCG, só pode ser administrada a bebés prematuros pertencentes a grupos de risco quando a criança atingir os 2 quilos de peso.

 

 

Programa Nacional de Vacinação (PNV)

O PNV é um programa universal gratuito e acessível a todas as pessoas presentes em Portugal.

Tem por objetivo proteger os indivíduos e a população em geral contra as doenças com maior potencial para constituírem ameaças à saúde pública e individual e para as quais há proteção eficaz por vacinação.

A nível individual pretende-se que a pessoa vacinada fique imune à doença ou, nos casos em que isso não é possível, tenha uma forma mais ligeira da doença quando contactar com o agente infecioso que a causa. A nível da população pretende-se eliminar, controlar ou minimizar o impacto da doença na comunidade, sendo necessário que a percentagem de pessoas vacinadas na população seja a mais elevada possível.

 

As vacinas que integram o PNV são as vacinas consideradas de primeira linha, isto é, comprovadamente eficazes e seguras e de cuja aplicação se obtêm os maiores ganhos em saúde.

O PNV é regularmente revisto e atualizado pela DGS, após proposta de uma Comissão Técnica de Vacinação (CTV) em função das vacinas disponíveis, da frequência e distribuição dessas doenças no nosso país, e da evolução social e dos serviços de saúde.

Em 1965, ano da implementação do PNV, este conferia proteção contra 6 doenças, enquanto o PNV em vigor (PNV 2017) confere proteção contra 12 doenças. Algumas das vacinas não incluídas no PNV, embora confiram proteção a quem as toma, não demonstraram, até à data, proporcionar tantos ganhos na saúde da população como as do PNV.

 

 

Vacinas do PNV

A vacina VHB protege contra infeções causadas pelo vírus da hepatite B, que se transmite por via sexual (contato com sémen), por contacto com o sangue ou fluidos de pessoa infetada (partilha de agulhas não esterilizadas, ou contacto com sangue infetado…) e ainda da mãe para o filho durante o parto ou no período perinatal (transmissão vertical).

Na maioria das crianças e em cerca de metade dos adultos a infeção inicial é assintomática. Quando infetados, as crianças e jovens têm maior probabilidade de se tornarem portadores crónicos do vírus e de desenvolver doença hepática grave, incluindo carcinoma hepatocelular.

As vacinas disponíveis em Portugal e administradas no âmbito do PNV são inativadas, em apresentação monovalente (VHB) e hexavalente combinada com as vacinas contra difteria, tétano, tosse convulsa/pertusis acelular, poliomielite, Haemophilus influenzae do serotipo b e hepatite B (DTPaHibVIPVHB).

 

A vacina Hib protege contra infeções causadas pela bactéria Haemophilus influenzae do serotipo b, que se encontra habitualmente a nasofaringe humana. Transmite-se pessoa a pessoa através de gotículas de saliva, que se espalham no ar quando o doente espirra ou tosse.

A bactéria pode provocar doença grave, nomeadamente pneumonia, infeções na pele ou ossos e ainda meningite, situação com uma mortalidade elevada e que com grande frequência provoca atraso mental, cegueira ou surdez. Afeta sobretudo crianças com menos de 5 anos, que podem ser portadoras da bactéria sem manifestar sinais ou sintomas da doença. A infeção é rara após os 5 anos, pelo que a vacina só é dada até esta idade.

As vacinas disponíveis em Portugal e administradas no âmbito do PNV são conjugadas, nas apresentações: monovalente (Hib); pentavalente combinada com as vacinas contra a difteria, tétano, tosse convulsa/pertusis acelular e poliomielite (DTPaHibVIP); hexavalente combinada com as vacinas contra a difteria, tétano, tosse convulsa /pertusis acelular, poliomielite e hepatite B (DTPaHibVIPVHB).

 

Esta doença pode não dar proteção a longo prazo. Uma criança que teve a doença com menos de 24 meses de idade e que recuperou deve ser vacinada tão cedo quanto possível. Não é necessário vacinar as crianças que tenham tido esta doença com mais de 2 anos de idade, mas não há qualquer problema se a criança for vacinada.

 

A vacina DTPa protege contra as infeções causadas pelas bactérias Clostridium tetani (tétano), Corynebacterium diphteriae (difteria) e Bordetella Pertussis (tosse convulsa).

A difteria e a tosse convulsa transmitem-se pessoa a pessoa através das gotículas de saliva expelidas pelo espirro ou tosse. O tétano é provocado pela contaminação de qualquer tipo de ferida com esporos da bactéria Clostridium tetani, que se encontram no meio ambiente.

O Tétano caracteriza-se por espasmos musculares, cãibras e convulsões que resultam da multiplicação da bateria e libertação de toxinas. Os efeitos sobre os músculos da mandíbula não permitem a abertura da boca, e nos músculos respiratórios podem provocar a morte por sufocação. A infeção do recém-nascido (tétano-neonatal) pode ocorrer durante o parto em ambiente extra hospitalar, quando são usados objetos contaminados para cortar o cordão umbilical.

A Difteria provoca febre ligeira, dor de garganta e falta de apetite. As complicações mais graves podem causar a morte e incluem: obstrução da via aérea (pela formação de membrana na garganta), falência cardíaca e renal, paralisia dos músculos da deglutição e pneumonia. A letalidade é mais elevada nas idades extremas da vida.

A Tosse convulsa ou coqueluche é uma infeção do aparelho respiratório que se caracteriza por tosse paroxística com guincho inspiratório. As complicações mais graves são, as pulmonares (pneumonia, hipertensão pulmonar…), a encefalopatia e a inanição. Os lactentes e as crianças pequenas são mais suscetíveis à infeção e às complicações graves, incluindo a morte.

Em Portugal e no âmbito do PNV são administradas vacinas inativadas (toxóide diftérico – D; toxóide tetânico – T) e acelular (Pa) nas apresentações: hexavalente combinada com as vacinas contra o tétano, difteria, tosse convulsa/pertusis acelular, Haemophilus influenzae do serotipo b, poliomielite e hepatite B (DTPaHibVIPVHB); pentavalente combinada com as vacinas contra o tétano, difteria, tosse convulsa/pertusis acelular, Haemophilus influenzae do serotipo b e poliomielite (DTPaHibVIP); trivalente combinada com as vacinas contra o tétano, difteria e tosse convulsa/pertusis acelular, em dose para adultos (Tdpa); bivalente combinada com as vacinas contra o tétano, difteria em dose para adultos (Td).

 

A vacina Tdpa protege contra as infeções causadas pelas bactérias Clostridium tetani (tétano), Corynebacterium diphteriae (difteria) e Bordetella pertussis (tosse convulsa).

A difteria e a tosse convulsa transmitem-se pessoa a pessoa através das gotículas de saliva expelidas pelo espirro ou tosse. O tétano é provocado pela contaminação de qualquer tipo de ferida com esporos da bactéria Clostridium tetani, que se encontram no meio ambiente.

A Difteria provoca febre ligeira, dor de garganta e falta de apetite. As complicações mais graves podem causar a morte e incluem: obstrução da via aérea (pela formação de membrana na garganta), falência cardíaca e renal, paralisia dos músculos da deglutição e pneumonia. A letalidade é mais elevada nas idades extremas da vida.

O Tétano caracteriza-se por espasmos musculares, cãibras e convulsões que resultam da multiplicação da bateria e libertação de toxinas. Os efeitos sobre os músculos da mandíbula não permitem a abertura da boca, e nos músculos respiratórios podem provocar a morte por sufocação. A infeção do recém-nascido (tétano-neonatal) pode ocorrer durante o parto em ambiente extra hospitalar, quando são usados objetos contaminados para cortar o cordão umbilical.

A Tosse convulsa ou coqueluche é uma infeção do aparelho respiratório que se caracteriza por tosse paroxística com guincho inspiratório. As complicações mais graves são, as pulmonares (pneumonia, hipertensão pulmonar…), a encefalopatia e a inanição. Os lactentes e as crianças pequenas são mais suscetíveis à infeção e às complicações graves, incluindo a morte.

Em Portugal e no âmbito do PNV é administrada uma vacina inativada de doses reduzidas às grávidas entre as 20 e as 36 semanas de gestação com o objetivo de proteger o recém-nascido contra a tosse convulsa.

A vacina Tdpa é também administrada a crianças entre os 7 e os 10 anos de idade que tenham o esquema vacinal do PNV desatualizado, e quando se tem de recorrer a esquemas vacinais de recurso.

 

A vacina Td protege os adultos contra as infeções causadas pelas bactérias Clostridium tetani (tétano) e Corynebacterium diphteriae (difteria).

A difteria transmite-se pessoa a pessoa através das gotículas de saliva expelidas pelo espirro ou tosse. O tétano é causado quando a bactéria que se encontra no meio ambiente, penetra numa lesão da pele.
A Difteria provoca febre ligeira, dor de garganta e falta de apetite. As complicações mais graves podem causar a morte e incluem: obstrução da via aérea (pela formação de membrana na garganta), falência cardíaca e renal, paralisia dos músculos da deglutição e pneumonia. A letalidade é mais elevada nas idades extremas da vida.

O Tétano caracteriza-se por espasmos musculares, cãibras e convulsões. Estes efeitos sobre os músculos da mandíbula não permitem a abertura da boca, e nos músculos respiratórios podem provocar a morte por sufocação. A infeção do recém-nascido (tétano-neonatal) pode ocorrer durante o parto em ambiente extra hospitalar, quando são usados objetos contaminados para cortar o cordão umbilical.
Em Portugal e no âmbito do PNV é administrada uma vacina inativada (toxóide diftérico – d; toxóide tetânico – T) de doses reduzidas, aos indivíduos com idade igual ou superior a 10 anos. Esta vacina é administrada toda a vida com intervalos de 20 anos até aos 65 anos de idade e posteriormente de 10 em 10 anos.

 

Quer o tétano doença quer a vacina não dão proteção a longo prazo, pelo que é sempre necessário fazer o reforço de 20 em 20 anos até aos 65 anos de idade e posteriormente de 10 em 10 anos. Por outro lado, esta é uma vacina que não dá a chamada imunidade de grupo – só está mesmo protegido quem tem a vacina em dia.

 

O tétano é provocado pela contaminação de qualquer tipo de feridas com esporos da bactéria Clostridium tetani, seguida de multiplicação local e libertação de toxinas, responsáveis pelas manifestações da doença. Estas caracterizam-se por espasmos musculares, cãibras e convulsões. A contração dos músculos da mandíbula não permite a abertura da boca. Os espasmos também afetam os músculos da garganta, do tórax, do abdómen e dos membros. Os efeitos da toxina nos músculos respiratórios podem provocar a morte por sufocação. Ainda hoje não existe tratamento específico para esta doença, em que 30% dos doentes acabam por morrer.

A difteria é uma doença grave provocada pela bactéria Corynebactrium diphteriae, que produz toxinas que podem causar a morte por obstrução da via aérea (pela formação de membrana na garganta), falência cardíaca e renal, paralisia dos músculos da deglutição e pneumonia.

 

A vacina VIP protege contra infeções causadas por um dos três serotipos de vírus da poliomielite (polio 1, polio 2, polio 3). Transmite-se facilmente pessoa a pessoa por via fecal/oral, por contacto direto com gotículas de saliva ou secreções de pessoas infetadas. A maioria das pessoas infetadas com vírus da poliomielite são assintomáticas mas, podem transmitir a doença. A doença pode provocar meningite e paralisia permanente. As crianças com menos de cinco anos de idade são mais suscetíveis à infeção.

As vacinas disponíveis em Portugal e administradas no âmbito do PNV são inativadas, em apresentação monovalente (VIP), pentavalente combinada com as vacinas contra difteria, tétano, tosse convulsa/pertusis acelular e Haemophilus influenzae do serotipo b (DTPaHibVIP) e hexavalente combinada com as vacinas contra difteria, tétano, tosse convulsa/pertusis acelular, Haemophilus influenzae do serotipo b e hepatite B (DTPaHibVIPVHB).

A poliomielite é uma doença provocada por um vírus, que pode provocar meningite, paragem respiratória, a morte e nalguns casos, a paralisia permanente com deformações (atrofia) de pernas, braços ou ambos.

Não existe tratamento específico para esta doença. Está descrito que mais de um quarto das pessoas que tiveram poliomielite paralítica na infância pode desenvolver novos sintomas até 30 a 40 anos depois da doença.

 

A vacina Pn13 protege contra infeções causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae ou pneumococo que coloniza a porção superior das vias respiratórias do Homem, que é o seu hospedeiro natural. As bactérias disseminam-se através de gotículas de saliva ou muco quando as pessoas infetadas tossem ou espirram. Há pessoas podem ser portadoras do pneumococo, sem apresentar sinais ou sintomas da doença, mas que podem infectar outras pessoas. Os portadores mais frequentes são as crianças pequenas. A infeção pelo pneumococo pode provocar otite média aguda, doença invasiva (DIP) como pneumonia, meningite, artrite e sépsis que estão associadas a elevada morbilidade e são mais frequentes nos muito jovens, nos idosos e nos asplénicos e imunodeficientes.

A vacina disponível em Portugal e administrada no âmbito do PNV é conjugada, em apresentação trezevalente constituída pelos serotipos 1, 3, 4, 5, 6A, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19A, 19F, 23F, (Pn13).

 

A vacina MenC protege contra infeções (meningite e sépsis meningocócica) causadas pela bactéria Neisseria meningitidis, que se transmitem pelo contacto com indivíduos portadores ou infetados, através das secreções nasofaríngeas. As doenças causadas por esta bactéria são mais frequentes nos primeiros anos de vida, instalam-se de forma súbita, e são situações graves que podem colocar em perigo a vida.

A vacina disponível em Portugal e administrada no âmbito do PNV é conjugada, em apresentação monovalente (MenC).

 

A vacina VASPR protege contra as infeções causadas pelos vírus do sarampo, da parotidite epidémica (papeira) e da rubéola. Estas doenças transmitem-se pessoa a pessoa através de gotículas de saliva que se disseminam para o ar, pela tosse, espirro ou, por contacto direto com as secreções nasofaríngeas de pessoas infetadas.

O sarampo provoca febre e um exantema maculopapular generalizado. A pneumonia é a causa de morte mais comum associada ao sarampo. Se contraído durante a gravidez, o sarampo aumenta o risco de aborto ou parto prematuro.

A parotidite epidémica (papeira) é uma doença típica da infância e caracteriza-se pelo aumento da(s) glândula(s) salivar(es). As complicações mais frequentes da parotidite epidémica são a orquite e a ooforite.

A rubéola é uma doença da infância, cujo sintoma mais comum é um exantema maculopapular eritematoso. Quando a infeção é contraída no início da gravidez, o vírus é transmitido ao feto, podendo resultar em aborto espontâneo, morte fetal ou malformações congénitas conhecidas como “síndroma da rubéola congénita” (SRC), cujas complicações incluem atraso no desenvolvimento do feto, surdez, cataratas, alterações cardíacas e atraso mental.

Em Portugal e no âmbito do PNV é administrada uma vacina viva atenuada, em apresentação trivalente combinada com as vacinas contra o sarampo, a parotidite epidémica e rubéola (VASPR).

 

O sarampo é uma doença provocada por um vírus que se transmite muito facilmente, pessoa a pessoa através do espirro, da tosse e de contactos pessoais íntimos e que é muito contagiosa. Frequentemente provoca doença grave, com complicações ou morte, e para a qual não existe tratamento específico. As complicações incluem diarreia com desidratação, infeção nos ouvidos, pneumonia (a principal causa de morte nestes doentes) e encefalite, que pode provocar lesão permanente do cérebro.

 

Uma história credível de sarampo significa que a pessoa está protegida através da doença natural, não necessitando de vacinação adicional. Mas se a história da doença suscitar dúvidas, é recomendada a vacinação, uma vez que a vacina pode ser dada sem qualquer problema mesmo a uma pessoa que já tenha tido a doença.

 

A vacina HPV protege contra infeções causadas por vírus do Papiloma Humano (HPV) que se transmite-se por via sexual ou durante a passagem pelo canal do parto. É a infeção sexualmente transmitida, mais comum. Existem mais de 100 tipos de vírus do Papiloma Humano. Em função do seu potencial oncogénico são classificados em vírus de “baixo risco” e de “alto risco”. A infeção por HPV é mais frequente nos mais jovens e nos primeiros anos após o início da atividade sexual. A maioria das infeções por HPV é assintomática e regride espontaneamente sem tratamento, no entanto uma pequena percentagem das infeções por HPV de “alto risco”, se não forem precocemente detetadas e tratadas, evolui para cancro invasivo do colo do útero, cancro anogenital ou cancro da cabeça e pescoço.

As vacinas disponíveis em Portugal são recombinantes (HPV), em apresentação bivalente composta pelos genótipos 16 e 18 (HPV2), tetravalente composta pelos genótipos 6, 11 16 e 18 (HPV4) e nonavalente composta pelos genótipos 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58 (HPV9). No âmbito do PNV, desde janeiro de 2017, é administrada a vacina HPV9.

 

O vírus do Papiloma humano, que inclui diversos tipos, é transmitido por via sexual e está presente em 99% dos cancros do colo do útero (que é um cancro muito frequente na mulher). A vacina confere proteção para a vários (4 ou 9 genótipos) tipos de HPV incluindo os que mais frequentemente causam o cancro do colo do útero. A vacina deve ser administrada antes do início da atividade sexual, para não haver hipóteses de a jovem se ter infetado previamente à sua administração.

 

A minha filha mais velha foi vacinada com 3 doses de vacina contra o HPV. Fui recentemente ao centro de saúde para vacinar a minha filha mais nova e disseram-me que agora são só duas doses. Qual o motivo desta alteração?

Os estudos realizados após a vacina ter sido utilizada em larga escala (estudos de fase IV – pós comercialização) demonstraram que, nas jovens entre os 10 e os 14 anos de idade, duas doses com pelo menos 6 meses de intervalo conferem uma proteção adequada.

 


 

Pela sua idade já não está abrangida pelo PNV, não podendo beneficiar da vacina gratuita. Deverá dirigir-se ao seu médico assistente que avaliará a sua situação e, se assim o entender, prescreverá a vacina. Nestas situações, após a prescrição médica, a vacina é adquirida em farmácia de oficina.

 

Tenho 24 anos, fiz uma dose de vacina HPV aos 17 anos, mas não fiz mais nenhuma dose. Pretendo completar a vacinação. Que devo fazer?

Deve dirigir-se ao seu centro de saúde para completar o esquema vacinal que iniciou antes dos 18 anos de idade.

 

No âmbito do atual PNV, só as raparigas de 10 e até à véspera de completarem os 18 anos, podem iniciar o esquema da vacina contra o HPV gratuitamente. No entanto, caso o médico assistente considere adequado, e de acordo com o que está referido no documento informativo desta vacina, poderá receitar a vacina a um rapaz. Neste caso, terá de ser passada uma receita e respetivo esquema vacinal, para a aquisição da vacina numa farmácia de oficina. A administração pode ser efetuada no seu centro de saúde.

 

 

Vacinas do PNV para grupos de risco ou em circunstâncias especiais

A vacina BCG protege contra a tuberculose, infeção causada pelo Mycobacterium tuberculosis. A tuberculose transmite-se quando a pessoa doente tosse ou espirra. A bactéria afeta os pulmões e pode também infetar outras partes do corpo, como os rins, ossos e articulações e é também responsável pela meningite tuberculosa, situação de extrema gravidade que pode originar doença permanente do sistema nervoso central.

Em Portugal utiliza-se uma vacina BCG “viva” atenuada que protege contra as formas graves de tuberculose.

 

A vacina BCG deve ser administrada às crianças com menos de 6 anos que pertençam a grupos de risco para contrair tuberculose. A definição de quais os grupos de risco que devem ser vacinados constam da Norma 006/2016 de 29/06/2016 da Direção-geral da Saúde.

 

A vacina MenB protege contra infeções (meningite e sépsis meningocócica) causadas pela bactéria Neisseria meningitidis, do serogrupo B, que se transmitem pelo contacto com indivíduos portadores ou infetados, através das secreções nasofaríngeas. A doença caracteriza-se por início súbito de febre, dores de cabeça, náuseas, vómitos e rigidez da nuca, pode também surguir um rash petequial com manchas de cor rosada por todo o corpo. A doença é grave e pode colocar em perigo a vida.

A vacina disponível em Portugal é conjugada, em apresentação monovalente (MenB).

 

A vacina MenB deve ser administrada às crianças e adolescentes com menos de 18 anos de idade que pertençam a grupos com risco acrescido de contrair doença invasiva meningocócica (DIM). Os grupos para os quais se recomenda a vacinação gratuita são os seguintes: Asplenia anatómica ou funcional e hipoesplenismo; Défice congénito de complemento; Terapêutica com inibidores do complemento (Eculizumab).

 

Os Profissionais de Saúde devem ter o PNV atualizado com destaque para a vacinação com VHB (vacina contra a hepatite B), VASPR (vacina contra o sarampo, parotidite epidémica (papeira) e rubéola) e VIP (vacina contra a poliomielite).

Outras vacinas necessárias para a proteção de profissionais de saúde contra riscos biológicos efetuam-se no âmbito dos Serviços de Saúde Ocupacional, da empresa/instituição onde trabalha, respeitando a legislação em vigor.

 

A vacinação de viajantes deve ser personalizada de acordo com a idade, a história clinica e vacinal da pessoa, os países de destino, o tipo de viagem, a duração da viagem/estadia, a permanência/visita em áreas urbanas ou rurais, os requisitos legais de cada país em termos de vacinação e o período de tempo disponível antes da partida.

 

As vacinas e outras medidas protetoras de que necessita dependem do país para onde se vai deslocar, da zona, da duração da viagem, das condições e do tempo de alojamento, da sua idade e do seu estado de saúde. Deverá recorrer a uma consulta do viajante com alguma antecedência (idealmente 2-3 meses), de modo a, caso seja necessário vacinar-se, possa já estar, pelo menos parcialmente, protegido quando iniciar a viagem. Poderá obter informações sobre os locais e horários das Consultas do Viajante através do seu centro de saúde ou no Portal da Saúde. Complementarmente, poderá consultar o sítio da internet da DGS onde está disponível informação sobre a prevenção de doenças para quem vai viajar.

 

No geral, as viagens para países da Europa não requerem nenhumas vacinas particulares. No entanto, para alguns países ou no caso de eventos que atraem multidões de muitas proveniências, podem ser aconselhadas certas vacinas (p. e. sarampo, encefalite da carraça e outras). Poderá também consultar o sítio da DGS onde está disponível informação sobre a prevenção de doenças para quem vai viajar. É importante que verifique se tem o seu Boletim Individual de Saúde em dia para as vacinas recomendadas para a sua idade e estado de saúde.

 

 

Hesitação em vacinar

Será que tenho mesmo de vacinar o meu filho, uma vez que há muitas crianças vacinadas e assim o meu filho também fica protegido?

Todas as crianças devem ser vacinadas nas idades recomendadas desde que não tenham uma verdadeira contraindicação (o que é raro e será determinada pelo médico assistente). Qualquer criança não vacinada permanece suscetível às doenças e às suas complicações (que podem ser muito graves e não se consegue prever em quem surgirão – o facto de ser uma criança saudável não significa que não vai ter complicações), por não ter imunidade natural (uma vez que não teve a doença) ou adquirida (pela vacinação). Para a maioria das doenças do PNV, o seu controlo depende da manutenção de uma proporção elevada de pessoas vacinadas. Neste sentido, a recusa individual da vacinação compromete o interesse coletivo, uma vez que uma criança não vacinada, se adoecer, pode contagiar outras crianças não vacinadas por contraindicação médica comprovada ou por ainda não terem idade para ter iniciado ou completado a vacinação.

 

Se optar por não vacinar o seu filho deverá ter presente que o fará correr riscos desnecessários quanto à saúde e quanto à vida. No entanto, caso tome essa opção, há alguns cuidados a ter, nomeadamente:

  • Se o seu filho adoecer e tiver de recorrer a um serviço de saúde, deve avisar imediatamente os profissionais de saúde que a criança não recebeu todas ou algumas das vacinas recomendadas para a sua idade, uma vez que é necessário nestes casos considerar que a criança pode ter uma doença evitável pela vacinação
  • Se aparecer na escola alguma criança com uma doença evitável pela vacinação, o seu filho deverá cumprir um período de afastamento da escola e doutras atividades de grupo até haver a certeza que não contraiu a doença e não a irá disseminar. Esse período varia conforme a doença (que pode ser de dias ou semanas).
  • Se o seu filho viajar, deve ter presente que muitas das doenças que estão controladas no nosso país ainda circulam noutros países, como por exemplo o sarampo, pelo que o seu filho não estará protegido. Para além de adoecer, pode trazer de novo a doença para Portugal quando regressar e contagiar outras crianças não vacinadas.

Quanto maior for o número de pais que optam por não vacinar os filhos, maior é o risco de disseminação das doenças evitáveis pela vacinação. Ao decidir não vacinar, não põe só o seu filho em risco, mas também toda a comunidade.

 

 

Questões práticas sobre vacinação

Tenho de levar o meu filho ao centro de saúde para uma terceira dose de uma vacina. Mas como vamos viajar nas férias, não estaremos em Portugal nessa altura. Posso antecipar a vacina?

Por determinadas razões, por motivo de uma epidemia ou de natureza clínica, para aproveitar oportunidades de vacinação ou outras, pode ser necessário encurtar os intervalos entre doses da mesma vacina. Nestes casos devem respeitar-se sempre os intervalos mínimos aconselhados. Deverá dirigir-se ao seu centro de saúde para saber se a criança pode ser vacinada antes ou se apenas o deverá fazer quando regressar de férias.

 

Se por qualquer motivo houver atraso numa vacina, dirija-se ao serviço de vacinação do seu centro de saúde para lhe ser administrada a vacina em falta, mesmo que já tenham sido ultrapassados os prazos recomendados. Deverá sempre levar consigo o Boletim Individual de Saúde, de modo a ser registada a vacina que receber.

 

Tenho um filho com 7 anos de idade e outro com 13 meses, os esquemas vacinais que lhe foram recomendados são diferentes, porquê?

A vigilância das doenças pelos serviços de saúde, permite acompanhar a sua evolução ao longo do tempo, possibilita adequar os esquemas vacinais à evolução observada, de modo a que a política vacinal seja sempre a que mais beneficia a saúde da população. As modificações dos esquemas de vacinação são avaliadas pelos peritos da Comissão Técnica de Vacinação, por instituições e por sociedades científicas, que, de acordo com a evidência científica mais atual e as alterações nos comportamentos das doenças, propõem essas alterações.

 

Sempre vivi em Portugal, mas agora vou viver para outro país. Como posso comprovar que tenho as minhas vacinas em dia?

Deverá requerer junto dos serviços da embaixada do país para onde vai residir a tradução do seu Boletim Individual de Saúde. Os calendários vacinais são diferentes de país para país e estão de acordo com a realidade local das doenças, pelo que é de toda a conveniência que siga o esquema do país onde vai residir. Quando regressar a Portugal, e se for caso disso, poderá sempre atualizar o esquema de acordo com o PNV nacional.

 

É importante ter o calendário vacinal atualizado de acordo com o PNV de Portugal, que foi definido de acordo com a realidade epidemiológica e as prioridades no controlo ou eliminação das doenças evitáveis pela vacinação. Dirija-se ao centro de saúde da sua área de residência em Portugal, com os boletins/registo de vacinação do país de onde veio, para que o serviço de vacinação possa conferir que vacinas serão eventualmente necessárias. A administração é gratuita.

 

Estou temporariamente a residir em casa de familiares e preciso de vacinar o meu filho. Terei de levá-lo ao serviço de saúde da nossa residência habitual ou poderei vaciná-lo no centro de saúde da morada atual?

Qualquer pessoa presente em Portugal pode atualizar o seu estado vacinal em qualquer serviço de vacinação do Serviço Nacional de Saúde. Por motivos de mudança temporária de residência, ou outro, para ser vacinado noutro Centro de Saúde que não o seu, poderá efetuar uma inscrição “temporária”

 

A emissão de uma 2ª via do Boletim Individual de Saúde deve ser solicitada no centro de saúde onde o utente é habitualmente vacinado, uma vez que é nesse local que está arquivado o histórico vacinal do cidadão.

 

O PNV é um programa universal, gratuito e acessível a todas as pessoas presentes em Portugal. A DGS recomenda veementemente o cumprimento do PNV, uma vez que o mesmo permite reduzir o impacto das doenças alvo da vacinação na saúde do indivíduo e da população. O seu cumprimento na generalidade não é legalmente obrigatório. No entanto o Decreto-Lei n.º 44 198 de 20 de fevereiro de 1962 legitima a obrigatoriedade da vacinação antidiftérica e antitetânica.

 

 

Mitos sobre a vacinação

A melhoria da higiene e a disponibilidade de água potável permitiram controlar muitas doenças infeciosas, não evitando, no entanto, a circulação dos micro-organismos causadores das doenças evitáveis pela vacinação. Só a vacinação em larga escala consegue evitar a ocorrência das doenças alvo da vacinação, levando ao seu controlo ou mesmo eliminação. A erradicação da varíola no mundo (declarada pela Organização Mundial da Saúde em 1980) só foi possível quando globalmente se atingiram elevadas coberturas vacinais.

Mesmo com boas condições de higiene, interromper a vacinação levaria ao reaparecimento dessas doenças, com as consequentes mortes e incapacidades evitáveis, como está a acontecer com o sarampo.

 

“As doenças evitáveis pela vacinação estão praticamente eliminadas, pelo que não há razão para vacinar o meu filho”

As doenças atualmente evitáveis pela vacinação ainda ocorrem em diversas partes do mundo, incluindo a Europa.

Há dois motivos principais para vacinar:

  • A proteção individual: apesar de estas doenças serem atualmente raras em Portugal, qualquer pessoa não protegida pode ser infetada e adoecer. Uma criança não vacinada poderá adquirir a doença se viajar para locais onde a doença ainda não está controlada ou se contactar com uma pessoa infetada/doente proveniente desses locais. No regresso poderá ainda trazer essas doenças para o nosso país, contagiar pessoas não protegidas e originar surtos.
  • A proteção da comunidade: em países/regiões/locais com elevadas coberturas vacinais a comunidade beneficia da chamada imunidade de grupo, isto é, quanto maior a proporção de pessoas vacinadas menor a circulação do micro-organismo causador da doença, com proteção indireta das pessoas não vacinadas.

A imunidade de grupo confere proteção aos que não podem ser vacinados, por exemplo, por não terem atingido ainda a idade recomendada para a administração de vacinas.

 

Apesar de, geralmente, conferir proteção contra infeções posteriores, a doença natural pode evoluir com complicações graves e morte. E mesmo uma criança saudável pode desenvolver complicações. A vacinação é muito mais segura – através das vacinas o sistema imunitário é capaz de garantir proteção a longo prazo, sem o risco acrescido das complicações que a doença acarreta.

 

As vacinas atualmente são muito seguras e eficazes. Ao longo da história do Programa Nacional de Vacinação (PNV) foram introduzidas vacinas cada vez mais seguras, como aconteceu, por exemplo, com as vacinas contra a poliomielite e contra a tosse convulsa.

As reações adversas mais frequentes são ligeiras e de curta duração, ocorrendo, na sua maioria, no local da injeção. A febre após a vacinação é frequente. Estas reações podem, se necessário, ser controladas com medicação.

O risco de uma criança ter uma reação adversa a uma vacina é muito inferior ao risco de uma complicação grave da doença que essa vacina previne. Além disso, não é possível saber, antecipadamente, quais as crianças em que a doença poderá evoluir com complicações ou morte.

As vacinas, tal como qualquer medicamento, são alvo de um sistema de vigilância apertado, garantindo que qualquer reação anormal seja exaustivamente investigada, o que, com tantos anos de experiência e muitos milhões de vacinas administradas em todo o mundo, permite afirmar que as vacinas têm um elevado grau de segurança, eficácia e qualidade.

A notificação oficial de reações adversas às vacinas pelos profissionais de saúde é obrigatória.

 

“Administrar múltiplas vacinas simultaneamente para doenças diferentes pode sobrecarregar o sistema imunitário”

Um dos objetivos do PNV é a proteção, o mais precocemente possível, contra o maior número possível de doenças, cujas consequências, a nível individual e coletivo, estão inequivocamente demonstradas.

Estudos científicos provam que a administração simultânea de várias vacinas não aumenta as reações adversas. Independentemente da vacinação, no dia a dia, a criança está exposta a inúmeros estímulos infeciosos, estando o sistema imunitário preparado para lidar com todos eles.

Por outro lado, o desenvolvimento tecnológico levou ao aumento do número de componentes das chamadas vacinas combinadas. A proteção contra várias doenças com uma única injeção, diminuindo o número de injeções que a criança teria de receber se cada uma das vacinas fosse administrada em separado, tem por objetivo a humanização e melhor adesão aos esquemas vacinais, principalmente no primeiro ano de vida.

 

Não há risco acrescido de reações secundárias na administração simultânea das vacinas recomendadas para determinada idade. Atrasar algumas vacinas é deixá-lo vulnerável a essas doenças. O ideal é cumprir o esquema recomendado, que está estudado para dar a melhor proteção, o mais cedo possível e de acordo com a idade da criança.

 

Há alguns anos, em Inglaterra, foi publicado um estudo afirmando que a vacina contra o sarampo/papeira/rubéola (VASPR) provocava autismo. Este estudo foi totalmente desacreditado, tendo revelado deficiências graves na metodologia e conflitos de interesse provados juridicamente.

O autismo é uma doença em que a idade do diagnóstico coincide, em geral, com a idade em que são administradas as vacinas, nomeadamente a vacina VASPR. Muitos estudos científicos credíveis demonstraram que, apesar da coincidência temporal, não existe uma relação causal.

 

A verdade é que as vacinas salvam mais vidas do que outros tratamentos médicos. A sua utilização generalizada ao longo de décadas, através dos programas de vacinação, contribuiu para controlar a elevada mortalidade e as complicações (a curto e a longo prazo) de várias doenças contagiosas, que eram um verdadeiro flagelo no passado. Os efeitos secundários das vacinas, que são raros e estão identificados, são muito inferiores aos danos causados pelas doenças contra as quais essas vacinas protegem. Por outro lado, as vacinas são aprovadas tendo em atenção a sua qualidade, eficácia e segurança. Sabemos também que, nos países em que há grande contestação às vacinas, com bases não científicas, estão a ressurgir doenças que já estavam controladas (como p. e. o sarampo), com casos mortais e incapacidades para o resto da vida, situações que poderiam ter sido prevenidas.