Programa Nacional de Vacinação

Perguntas e Respostas

 
Vacinação em geral

Uma vacina é uma preparação antigénios (partículas estranhas ao organismo), que administrada a um indivíduo provoca uma resposta imunitária protetora específica de um ou mais agentes infeciosos.

  • Os antigénios das vacinas podem ser vírus ou bactérias inteiros, mortos ou atenuados, ou fragmentos desses microrganismos, por exemplo, partes da parede celular de uma bactéria, uma toxina inativada, etc…
  • O antigénio escolhido para uma vacina deve ser “imunogénico”, ou seja, deve desencadear uma reação imunitária e não provocar a doença. 
  • As vacinas são consideradas medicamentos, mas apresentam várias diferenças assinaláveis relativamente aos medicamentos clássicos, tal como identificado na seguinte tabela:

 

Vacina

Medicamento

Ação

Preventiva

Terapêutica

Benefício

Individual e coletivo

O efeito não é percetível (não contrai a doença)

Individual

O efeito é visível (normalmente ocorre melhoria)

Indivíduos

Saudáveis

Doentes

 

Os processos de produção das vacinas são diversos:

  • Enfraquecendo ou “atenuando” o microrganismo através de culturas sucessivas (p. e. a vacina contra o sarampo, rubéola e papeira).
  • Extraindo do microrganismo as partes que desencadeiam a resposta imunitária (p. e. a vacina contra a meningite C)
  • Inativando (enfraquecendo) a toxina que o microrganismo produz (p. e. a vacina contra o tétano)

Nalguns casos, podem ser incluídas numa mesma vacina mais do que um microrganismo – são as chamadas vacinas combinadas (p. e. vacina contra a difteria, tétano, tosse convulsa).

 

Após tantos anos de experiência e muitos milhões de vacinas administradas em todo o mundo, pode afirmar-se que as vacinas têm um elevado grau de segurança, eficácia e qualidade.

 

Uma vacina para ser utilizada percorre um longo caminho e atravessa diferentes fases ao longo de vários anos:

  • Fase inicial: investigação em laboratório e em animais;
  • Fases de ensaio em humanos; estas fases duram normalmente vários anos e constam de 3 etapas. I, II e II, em que, e de acordo com princípios éticos rigorosos e ênfase na segurança e eficácia, as vacinas candidatas vão sendo progressivamente aplicadas a um número maior de pessoas;
  • Fase após a introdução da vacina na comunidade: vigilância estreita da eficácia a longo prazo e do eventual aparecimento de reações adversas.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresenta 7 razões que justificam a importância da vacinação:

  1. As vacinas salvam vidas: antes da introdução da vacinação de rotina das crianças as doenças infeciosas eram a principal causa de morte na infância, e eram também causa de muito sofrimento e de incapacidade permanente.
  2. A vacinação é um direito básico de todos os cidadãos: com a criação dos programas nacionais de vacinação conseguiu-se atingir uma percentagem elevada de cidadãos vacinados contra as doenças alvo desses programas, conseguindo controlar as doenças evitáveis pela vacinação, com uma enorme diminuição do número de mortos e de incapacidades.
  3. Os surtos de doenças evitáveis pela vacinação são ainda uma séria ameaça para todos: atualmente, devido ao sucesso dos programas de vacinação, a maioria das pessoas desconhece a gravidade das doenças evitáveis pela vacinação, não se apercebendo da importância e dos ganhos conferidos pelas vacinas. No entanto, com exceção da varíola, considerada erradicada pela OMS em 1980, os microrganismos responsáveis pelas doenças evitáveis pela vacinação continuam a existir na comunidade, sendo uma ameaça à saúde de todos os que não estão protegidas pelas vacinas. Como exemplo, temos os surtos de sarampo na Europa que ocorrem maioritariamente em pessoas não vacinadas, outro exemplo é o surto de poliomielite num país livre da doença e que teve origem num doente vindo de um país onde ainda existia circulação do vírus.
  4. As doenças podem ser controladas e eliminadas: com uma vacinação sustentada e em grande escala as doenças como o sarampo podem ser eliminadas da Europa, à semelhança do que ocorreu com a poliomielite e como já sucedeu com a varíola. Para que tal seja possível, é necessário que uma percentagem muito grande da população adira aos programas nacionais de vacinação.
  5. A vacinação é custo-efetiva, ou seja, o seu custo compensa largamente os custos associados ao tratamento das doenças e das suas complicações (incluindo a morte).
  6. As crianças dependem do sistema de saúde dos respetivos países para terem acesso à vacinação gratuita e segura: os programas nacionais de vacinação permitem que todas as pessoas recebam as vacinas de acordo com a sua idade e em serviços de saúde competentes.
  7. Todas as crianças devem ser vacinadas: para se conseguir controlar uma doença, é necessária uma grande proporção de pessoas vacinadas. A eliminação do sarampo, por exemplo, requer que pelo menos 95% das pessoas estejam vacinadas. Cada pessoa não vacinada corre o risco de adoecer e aumenta o risco de transmitir a doença na comunidade.

 

Em geral, os efeitos causados pelas vacinas são ligeiros e desaparecem sem ser necessário tratamento, como dor ou vermelhidão no local da injeção ou um aumento ligeiro da temperatura ou dor de cabeça.

Em raríssimos casos podem verificar-se reações secundárias mais sérias, mas os serviços de vacinação estão treinados para as controlar. De qualquer modo, como prevenção, é sempre aconselhada a permanência no serviço de vacinação por 30 minutos a seguir à administração de qualquer vacina.

 

Há algumas décadas atrás, milhares de crianças e adultos morriam ou ficavam incapacitados por doenças como a varíola, a difteria, a tosse convulsa, a poliomielite e o sarampo.

Hoje em dia a situação é muito diferente, devido aos programas de vacinação, que permitiram erradicar a varíola e controlar as outras doenças. A maioria dos pais de hoje, e também alguns profissionais de saúde, nunca viram uma criança paralisada por poliomielite, a sufocar por causa da difteria, com lesões cerebrais por causa do sarampo, ou a morrer por causa de uma tosse convulsa, não tendo portanto a noção da gravidade dessas doenças e dos benefícios incalculáveis conferidos pela vacinação em larga escala.

A vacinação pode ser vítima do seu próprio sucesso. A eliminação ou o controlo das doenças evitáveis pelas vacinas incluídas no Programa Nacional de Vacinação pode alterar a perceção do risco, com a falsa sensação de que há um maior risco decorrente da administração das vacinas do que das doenças por elas prevenidas.

As vacinas são seguras e eficazes. Todas as crianças e adultos devem cumprir os esquemas de vacinação recomendados para a sua idade e estado de saúde.

 

O incómodo causado pela injeção é habitualmente um desconforto momentâneo, que pode ser minorado distraindo a criança e evitando demonstrar ansiedade durante o ato vacinal. Se o desconforto persistir, pode fazer-se uma ligeira massagem local ou aplicar um pouco de gelo, sem fazer pressão. Os bebés podem ser amamentados enquanto estão a ser vacinados ou logo depois.

 

As raras situações em que se deve respeitar um intervalo mínimo de 4 semanas referem-se à administração de duas vacinas “vivas”, quando não são administradas no mesmo dia.

Estas situações são bem conhecidas dos profissionais de saúde e não se aplicam ao esquema recomendado no PNV, que apenas inclui uma vacina “viva” (VASPR aos 12 meses e aos 5 anos).

Os intervalos entre as doses de vacinas recomendados no PNV permitem a aquisição de proteção contra o maior número de doenças o mais precocemente possível.

 

O tempo até se atingir a proteção contra a doença depende da vacina. Para algumas vacinas, por exemplo contra a difteria, tétano e tosse convulsa são necessárias 3 doses em intervalos recomendados para se considerar que existe proteção completa contra essas doenças, sendo também necessários reforços regulares para manter essa proteção ao longo do tempo.

Mesmo nas vacinas que necessitam de várias doses, após cada administração já poderá haver alguma proteção (incompleta), que surge geralmente 2 semanas ou mais após cada dose.

 

Os bebés prematuros têm menos anticorpos recebidos da mãe através da placenta do que as crianças nascidas com tempo de gravidez normal, pelo que as doenças podem ser mais graves nesses bebés. Assim, a vacinação não deve ser adiada. A única exceção é a vacina contra a hepatite B, que deverá ser dada ao fim do 1º mês de vida ou quando o bebé atingir os 2 quilos (o que se verificar primeiro).

A vacina BCG, só pode ser administrada a bebés prematuros pertencentes a grupos de risco quando a criança atingir os 2 quilos de peso.

 

 

Programa Nacional de Vacinação (PNV)

O PNV é um programa universal gratuito e acessível a todas as pessoas presentes em Portugal.

Tem por objetivo proteger os indivíduos e a população em geral contra as doenças com maior potencial para constituírem ameaças à saúde pública e individual e para as quais há proteção eficaz por vacinação.

A nível individual pretende-se que a pessoa vacinada fique imune à doença ou, nos casos em que isso não é possível, tenha uma forma mais ligeira da doença quando contactar com o agente infecioso que a causa. A nível da população pretende-se eliminar, controlar ou minimizar o impacto da doença na comunidade, sendo necessário que a percentagem de pessoas vacinadas na população seja a mais elevada possível.

 

As vacinas que integram o PNV são as vacinas consideradas de primeira linha, isto é, comprovadamente eficazes e seguras e de cuja aplicação se obtêm os maiores ganhos em saúde.

O PNV é regularmente revisto e atualizado pela DGS, após proposta de uma Comissão Técnica de Vacinação (CTV) em função das vacinas disponíveis, da frequência e distribuição dessas doenças no nosso país, e da evolução social e dos serviços de saúde.

Em 1965, ano da implementação do PNV, este conferia proteção contra 6 doenças, enquanto o PNV em vigor (PNV 2017) confere proteção contra 12 doenças. Algumas das vacinas não incluídas no PNV, embora confiram proteção a quem as toma, não demonstraram, até à data, proporcionar tantos ganhos na saúde da população como as do PNV.

 

 

Vacinas do PNV

A vacina VHB protege contra infeções causadas pelo vírus da hepatite B, que se transmite por via sexual (contato com sémen), por contacto com o sangue ou fluidos de pessoa infetada (partilha de agulhas não esterilizadas, ou contacto com sangue infetado…) e ainda da mãe para o filho durante o parto ou no período perinatal (transmissão vertical).

Na maioria das crianças e em cerca de metade dos adultos a infeção inicial é assintomática. Quando infetados, as crianças e jovens têm maior probabilidade de se tornarem portadores crónicos do vírus e de desenvolver doença hepática grave, incluindo carcinoma hepatocelular.

As vacinas disponíveis em Portugal e administradas no âmbito do PNV são inativadas, em apresentação monovalente (VHB) e hexavalente combinada com as vacinas contra difteria, tétano, tosse convulsa/pertusis acelular, poliomielite, Haemophilus influenzae do serotipo b e hepatite B (DTPaHibVIPVHB).

 

A vacina Hib protege contra infeções causadas pela bactéria Haemophilus influenzae do serotipo b, que se encontra habitualmente a nasofaringe humana. Transmite-se pessoa a pessoa através de gotículas de saliva, que se espalham no ar quando o doente espirra ou tosse.

A bactéria pode provocar doença grave, nomeadamente pneumonia, infeções na pele ou ossos e ainda meningite, situação com uma mortalidade elevada e que com grande frequência provoca atraso mental, cegueira ou surdez. Afeta sobretudo crianças com menos de 5 anos, que podem ser portadoras da bactéria sem manifestar sinais ou sintomas da doença. A infeção é rara após os 5 anos, pelo que a vacina só é dada até esta idade.

As vacinas disponíveis em Portugal e administradas no âmbito do PNV são conjugadas, nas apresentações: monovalente (Hib); pentavalente combinada com as vacinas contra a difteria, tétano, tosse convulsa/pertusis acelular e poliomielite (DTPaHibVIP); hexavalente combinada com as vacinas contra a difteria, tétano, tosse convulsa /pertusis acelular, poliomielite e hepatite B (DTPaHibVIPVHB).

 

Esta doença pode não dar proteção a longo prazo. Uma criança que teve a doença com menos de 24 meses de idade e que recuperou deve ser vacinada tão cedo quanto possível. Não é necessário vacinar as crianças que tenham tido esta doença com mais de 2 anos de idade, mas não há qualquer problema se a criança for vacinada.

 

A vacina DTPa protege contra as infeções causadas pelas bactérias Clostridium tetani (tétano), Corynebacterium diphteriae (difteria) e Bordetella Pertussis (tosse convulsa).

A difteria e a tosse convulsa transmitem-se pessoa a pessoa através das gotículas de saliva expelidas pelo espirro ou tosse. O tétano é provocado pela contaminação de qualquer tipo de ferida com esporos da bactéria Clostridium tetani, que se encontram no meio ambiente.

O Tétano caracteriza-se por espasmos musculares, cãibras e convulsões que resultam da multiplicação da bateria e libertação de toxinas. Os efeitos sobre os músculos da mandíbula não permitem a abertura da boca, e nos músculos respiratórios podem provocar a morte por sufocação. A infeção do recém-nascido (tétano-neonatal) pode ocorrer durante o parto em ambiente extra hospitalar, quando são usados objetos contaminados para cortar o cordão umbilical.

A Difteria provoca febre ligeira, dor de garganta e falta de apetite. As complicações mais graves podem causar a morte e incluem: obstrução da via aérea (pela formação de membrana na garganta), falência cardíaca e renal, paralisia dos músculos da deglutição e pneumonia. A letalidade é mais elevada nas idades extremas da vida.

A Tosse convulsa ou coqueluche é uma infeção do aparelho respiratório que se caracteriza por tosse paroxística com guincho inspiratório. As complicações mais graves são, as pulmonares (pneumonia, hipertensão pulmonar…), a encefalopatia e a inanição. Os lactentes e as crianças pequenas são mais suscetíveis à infeção e às complicações graves, incluindo a morte.

Em Portugal e no âmbito do PNV são administradas vacinas inativadas (toxóide diftérico – D; toxóide tetânico – T) e acelular (Pa) nas apresentações: hexavalente combinada com as vacinas contra o tétano, difteria, tosse convulsa/pertusis acelular, Haemophilus influenzae do serotipo b, poliomielite e hepatite B (DTPaHibVIPVHB); pentavalente combinada com as vacinas contra o tétano, difteria, tosse convulsa/pertusis acelular, Haemophilus influenzae do serotipo b e poliomielite (DTPaHibVIP); trivalente combinada com as vacinas contra o tétano, difteria e tosse convulsa/pertusis acelular, em dose para adultos (Tdpa); bivalente combinada com as vacinas contra o tétano, difteria em dose para adultos (Td).