Ameaças emergentes: Impacto das alterações climáticas nas DCCV

Ameaças emergentes: Impacto das alterações climáticas nas doenças cérebro e cardiovasculares
As alterações climáticas são hoje reconhecidas como um fator de risco emergente para a saúde cardiovascular e cerebral. Evidências científicas mostram que fenómenos ambientais como temperaturas extremas, poluição atmosférica e eventos climáticos severos aumentam a probabilidade de enfarte, AVC e insuficiência cardíaca, sobretudo em populações vulneráveis.
Estes efeitos resultam de vários mecanismos que atuam em simultâneo. O calor intenso, por exemplo, pode levar à desidratação e tornar o sangue mais espesso, aumentando o risco de trombose. Já o frio tende a elevar a pressão arterial e a exigir mais esforço do coração. A poluição atmosférica, por sua vez, está associada a processos inflamatórios e danos nos vasos sanguíneos, enquanto fenómenos climáticos extremos podem dificultar o acesso a cuidados médicos e aumentar o stress físico e emocional.
Em Portugal, dados ambientais e epidemiológicos demonstram que estes fatores já influenciam a mortalidade cardiovascular, com maior impacto em idosos, pessoas com doença prévia e comunidades socioeconomicamente vulneráveis. Perante este cenário, torna-se cada vez mais importante integrar a dimensão climática nas estratégias de prevenção e planeamento em saúde, reforçando a vigilância ambiental, adaptando os espaços urbanos e protegendo as populações mais expostas, de forma a reduzir o impacto futuro destas doenças.
