Programa Nacional para as Doenças Respiratórias

Perguntas e Respostas

P – O que é a  DPOC?
R – A DPOC ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é uma doença respiratória com queixas que muitas vezes se confundem com o processo natural do envelhecimento.
 A DPOC é provocada sobretudo pelo consumo do tabaco (cigarros, cigarrilhas, charutos). Em 80 a 90% dos doentes há ou houve exposição ao fumo do tabaco.
A exposição a certas poeiras, vapores ou fumos irritantes também pode causar DPOC, independentemente do consumo de cigarros ou outros produtos derivados do tabaco.

P – Será que posso ter DPOC?
R – Em Portugal estima-se que existem cerca 700 000 a 800 000 portugueses afetados pela DPOC. Se é fumador ou ex-fumador, se tem mais de 40 anos e tem sintomas respiratórios poderá ter DPOC. Nalguns doentes esta doença é mesmo silenciosa.
De início poderá sentir tosse associada ou não, a catarro ou expetoração. Com a continuação da exposição ao tabaco ou a outros poluentes estes sintomas tornam-se mais frequentes e incómodos, surgindo depois as infeções respiratórias com alguma frequência. Podem também surgir o cansaço ou a dificuldade em respirar, a sensação de falta de ar e a pieira ou farfalheira. Nestas circunstâncias deve consultar o seu médico assistente. A confirmação diagnóstica faz-se através da realização de um exame à sua respiração, denominado espirometria.

P – Todos os Fumadores desenvolvem DPOC?
R – Não. Estima-se que cerca de 1 em cada 3 fumadores, numa fase precoce ou tardia da sua vida, virá a ter DPOC. Mas lembre-se que o fumador com ou sem DPOC tem um risco comprovadamente aumentado de desenvolver cancro do pulmão, laringe ou outros órgãos. Além disso tem também um risco aumentado de enfarte do miocárdio ou de sofrer um acidente vascular cerebral.

P Como posso saber se tenho DPOC?
R – A DPOC é uma doença de adultos e não de crianças. Só pode ser confirmada através da realização de uma espirometria que irá detetar a existência de obstrução das vias aéreas, o que condiciona uma limitação à entrada e saída de ar dos seus pulmões.

P – O que é uma espirometria?
R – A espirometria é um teste que avalia quão bem respira e permite o diagnóstico de várias doenças pulmonares. De entre estas destaca-se a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica também conhecida por DPOC. O teste é indolor e geralmente leva cerca de 10 minutos, mas exige uma inspiração profunda e uma expiração máxima. Respira-se para dentro de um equipamento denominado espirómetro, que vai medir a quantidade de ar que respiramos e também a sua velocidade.

P – Será que devo fazer uma espirometria?
R – Sim se tiver uma resposta positiva a pelo menos uma das seguintes perguntas:
- Tem queixas de tosse crónica?
- Tem sensação de falta de ar quando anda de uma forma mais rápida?
- Já está a fazer tratamento para uma doença respiratória crónica?
- Tem 40 ou mais anos e é fumador ou ex-fumador?
- Está preocupado com a saúde dos seus pulmões
Em qualquer uma destas situações deve sempre aconselhar-se com o seu médico assistente.

P – Em que consiste o projeto-piloto para a disponibilização de espirometrias nos Cuidados de Saúde Primários?
R – Trata-se de um projeto inovador em Portugal, desencadeado pelo Ministério da Saúde e regulamentado pelo Despacho 6300/2016 de 16 de maio.
Este projeto-piloto está a decorrer nas Administrações Regionais de Saúde do Alentejo e do Algarve, desde o final de 2016 e tem como objetivo proporcionar aos médicos dos Cuidados de Saúde Primários e aos seus doentes, a possibilidade de realizarem espirometrias nos seus centros de saúde, visando assim o aumento da sua capacidade para diagnosticar DPOC a todos os casos suspeitos. Para ser levado a cabo, foram adquiridos espirómetros e contratados técnicos de cardiopneumologia, que se deslocam aos vários centros de saúde a fim de executar as respetivas espirometrias. Os utentes, por sua vez, para além de estarem isentos das taxas moderadoras, não necessitam de se deslocalizar para efetuar este exame de diagnóstico, noutro local. Também no âmbito deste projeto pretende-se a constituição de uma rede de espirometrias, que decorre da articulação entre os Cuidados de Saúde Primários e os Cuidados Hospitalares, uma vez que o relatório das espirometrias é da responsabilidade do Pneumologista do Hospital de proximidade, o qual se articula com o médico de família, no que se refere ao seguimento dos doentes graves (cujo seguimento será eminentemente hospitalar).

P É fumador (a) com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica?
R – se sim saiba as razões porque deve deixar de fumar!
Deixar de fumar é extremamente difícil mesmo depois de lhe ter sido diagnosticado DPOC. Contudo, de acordo com investigações feitas, deixar de fumar é o método mais efetivo para abrandar o avanço ou agravamento da sua doença respiratória, evitando, portanto, mais danos para os seus pulmões.
Quanto mais cedo deixar de fumar, tanto melhor para os seus pulmões e para o risco de vir a sofrer de outras doenças relacionadas com o tabaco.
Logo a seguir a deixar de fumar, notará benefícios importantes. O seu cansaço respiratório diminuirá dentro de duas a quatro semanas após ter parado de fumar. A pressão arterial, o ritmo cardíaco e a circulação também vão melhorar. Os níveis de monóxido de carbono no seu sangue provocados pela inalação do fumo do tabaco também vão diminuir drasticamente e de modo imediato fazendo com que o seu sangue transporte mais oxigénio. A sua capacidade pulmonar aumentará e os brônquios vão ficar mais dilatados tornando a respiração mais fácil, o que lhe permitirá também ter um nível de atividade física maior.
Quando parar de fumar reduzirá também os riscos relacionados com o tabagismo passivo para os membros da sua família, melhorando a qualidade do ar dentro de casa e fora de casa, uma vez que deixou de fumar junto deles. Também os seus filhos, sejam eles crianças ou adolescentes terão menor probabilidade de começar a fumar.

P Existe tratamento para a DPOC?
R – Sim existem muitos tratamentos para a DPOC, que devem ser indicados pelo seu médico assistente. Contudo, a principal medida é deixar de fumar. Deverá também fazer a prevenção das infeções respiratórias, vacinando-se contra a gripe e com a vacina anti-pneumocócica.

P É fumador com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica e quer deixar de fumar?
R – Se sim, conheça 8 ajudas para deixar de fumar.

  1. Saiba que é possível
    Acreditando que é possível, é meio caminho andado. Em todo o mundo milhões de pessoas que no passado foram fumadores, hoje estão livres do tabaco. Os estudos mostram que metade dos fumadores adultos que tentaram deixar de fumar foram bem-sucedidos. Isto não significa que se trata de algo fácil, mas antes que é mesmo possível!
     
  2. Não tente fazê-lo sozinho
    Terá maior probabilidade de sucesso se recorrer a uma consulta de cessação tabágica onde profissionais de saúde experientes nesta área, lhe poderão prestar a melhor ajuda personalizada.
     
  3. Identifique e evite estímulos que o levem a fumar
    Uma das maiores ajudas é identificar aquilo que o leva a desejar fumar, incluindo situações específicas, atividades, sentimentos e pessoas. Um estímulo é algo que o seu cérebro relaciona com o ato de fumar. Os estímulos são diferentes de fumador para fumador, assim, antes de deixar de fumar deve procurar identificá-los, anotá-los e planear estratégias ou truques para os evitar. O período em que vai estar mais vulnerável a esses estímulos será durante os primeiros três meses e por isso terá maior probabilidade de voltar a fumar.
    Alguns ambientes ou comportamentos podem desencadear a necessidade de fumar. Por exemplo muitas pessoas têm o hábito de fumar quando bebem álcool. Aqui o truque será fazer uma mudança para bebidas não alcoólicas ou beber apenas em locais onde seja proibido fumar. O fator desencadeante poderá ser, por exemplo encontrar-se com outros amigos que também fumam. Aqui a estratégia será avisar os seus amigos que está a deixar de fumar, pedindo-lhes compreensão para não o fazerem junto de si. Outro desencadeante comum poderá ser o final de uma refeição ou sempre que toma café. A estratégia será acabar a refeição com uma sobremesa, ou substituir o café por chá ou até mesmo utilizar substitutos da nicotina.
     
  4. Não opte por parar de fumar abruptamente
    Deixar de fumar abruptamente, de um dia para o outro é talvez o método mais direto para deixar de fumar, mas raramente funciona. De acordo com a American Lung Association 95% das pessoas que tentaram parar de fumar desta forma acabaram por ter recaídas e voltar a fumar. Quando se eliminam abruptamente, os níveis de nicotina, os sintomas de privação poderão tornar-se intoleráveis.
  5. Utilize múltiplos métodos
    A probabilidade de sucesso aumenta quando se utilizam múltiplos métodos, porque o ato de fumar corresponde tanto a uma adição (dependência) física da nicotina, como a um hábito psicológico. Assim, o sucesso em parar de fumar estará dependente de atuar, tanto ao nível dos hábitos e das rotinas, como ao nível da dependência da nicotina. A melhor metodologia para si será sempre aquela que, na sua opinião, será capaz de cumprir.
     
  6. Elabore um plano para deixar de fumar
    1. Estabeleça uma data para deixar de fumar
      É importante ter tempo para se preparar e para seguir um plano, pelo que essa data (dia D) deve dar-lhe tempo suficiente para se preparar, mas não ser suficientemente afastada de modo a não perder a motivação (entre duas a quatro semanas)
    2. Informe a família, amigos e colegas que vai deixar de fumar
      Diga-lhes que vai precisar da sua ajuda e encorajamento. Se possível arranje um amigo ou um companheiro que queira também parar de fumar, de modo a haver entreajuda.
    3. Preveja e prepare-se para as dificuldades que irá enfrentar
      A maior parte das recaídas ocorrem nos primeiros três meses. Pelo que deverá planear de forma antecipada em conjunto com os profissionais de saúde da consulta de cessação tabágica a forma de ultrapassar os problemas relacionados com a privação e o desejo intenso de fumar.
    4. Remova de sua casa os cigarros e outras formas de tabaco
      Não fique com um maço de emergência. Acabe com os cinzeiros, isqueiros e fósforos. Lave as suas roupas e tente livrar-se do cheiro a tabaco, não se esquecendo do carro.
    5. Planeie com o seu médico as consultas de acompanhamento
       
  7. Medicamentos utilizados na cessação tabágica
    A utilização de medicação aumenta a probabilidade de sucesso num programa para deixar de fumar. Fale com o seu médico, acerca das melhores opções para si.
    Os medicamentos atuam no sentido de evitar os sintomas de privação da nicotina. São mais eficazes se fizerem parte de um programa abrangente para parar de fumar, conduzido no âmbito de uma consulta de cessação tabágica.
    Substitutos da nicotina - a terapêutica de substituição da nicotina baseia-se na substituição dos cigarros, por outros substitutos da nicotina como os adesivos ou as gomas. O seu princípio de atuação baseia-se na libertação para o sangue de pequenas doses de nicotina duma forma sustentada, a fim de evitar os sintomas de privação, sem o alcatrão e todos os outros constituintes tóxicos do tabaco (que são mais de quatro mil). Este tipo de tratamento para além de atuar na dependência física da nicotina, vai também possibilitar-lhe o quebrar com as rotinas e hábitos relacionados com a dependência psicológica do tabaco, facilitando-lhe a concentração na aprendizagem de novos comportamentos.
    Medicamentos sem nicotina - são todos os fármacos sem nicotina que atuam minimizando os sintomas de privação. Neles incluem-se a bupropiona e a vareniclina que necessitam de prescrição médica.
     
  8. Não se culpabilize se tiver uma recaída
    As recaídas são frequentes. Muitas pessoas param de fumar e retomam o hábito várias vezes antes de pararem definitivamente. Não gaste energias a culpabilizar-se. Pelo contrário, gaste-as a analisar qual a parte do seu plano que se revelou mais frágil. Considere essa análise como uma experiência adquirida e prepare-se para o sucesso da próxima tentativa. Não desanime o parar de fumar é um processo que leva algum tempo.

P – O que é uma pneumonia?
R – A pneumonia é uma doença respiratória provocada por uma infeção nos pulmões. Afeta, mais do que os brônquios, os alvéolos que ficam preenchidos com líquido. Esta infeção pode ser provocada por vários tipos de microrganismos, como sejam os vírus, as bactérias e os fungos. A pneumonia mais frequente é provocada por uma bactéria denominada, pneumococo. 

P – Quem pode vir a ter uma pneumonia?
R – Qualquer pessoa pode contrair uma pneumonia, até mesmo pessoas saudáveis. Contudo os microrganismos têm maior probabilidade de infetar pessoas com uma fraca imunidade ou com as defesas diminuídas. As pessoas muito novas ou as muito idosas têm as defesas diminuídas, daí a razão de as pneumonias atingirem sobretudo as crianças em fase precoce de vida ou então os mais idosos numa fase tardia da vida. Há também outros fatores que podem diminuir as defesas como por exemplo o tabaco, as infeções virais como a gripe, que atacam as vias aéreas, a infeção pelo vírus da SIDA, ou determinadas terapêuticas para o cancro. Algumas doenças crónicas como a asma, a DPOC, as doenças cardíacas, a diabetes e as doenças renais também aumentam o risco de contrair pneumonia.
 
P –  Como posso saber se tenho uma pneumonia?
R – Pode dar-se o caso de se sentir doente, mas ainda assim não saber que tem uma pneumonia, pois os sintomas confundem-se com os de outras doenças.
Os sintomas principais são:
 Febre alta
 Calafrios
 Perda de apetite
 Cansaço
 Tosse, muitas vezes acompanhada de expetoração amarelada ou verde ou até mesmo raiada de sangue ou de cor acastanhada
 Sensação de falta de ar
  Dor no peito que se agrava quando respira fundo
Nestas circunstâncias deverá consultar um médico, que confirmará o diagnóstico com a realização de uma radiografia ao tórax e que revelará alterações compatíveis.

P –  Posso fazer alguma coisa para prevenir a pneumonia?
R – Pode. Evitando ações que diminuam as defesas dos seus pulmões, como por exemplo fumar. As vacinas contra a gripe e anti-pneumocócica são as mais recomendadas, particularmente para as pessoas com 65 ou mais anos, ou ainda para as pessoas afetadas por doenças crónicas que diminuam a imunidade ou as defesas dos pulmões.

P O que é a asma?
R – A asma é a doença respiratória crónica mais frequente, podendo afetar cerca de 1 milhão de portugueses. Ocorre em pessoas de todas as idades e provoca inflamação nas vias aéreas, o que faz com que os seus brônquios, também denominados de vias aéreas, se tornem muito sensíveis ou reativos a estímulos. A reação a esses estímulos consiste na broncoconstrição ou broncoespasmo (espasmo ou contração do músculo dos brônquios). Esta inflamação se não for tratada pode levar a uma crise ou ataque de asma, caracterizada pela broncoconstrição das vias aéreas.
Os sintomas de asma podem ser ligeiros, moderados ou graves. Variam de pessoa para pessoa e podem exacerbar-se ou até mesmo desaparecer ao longo do tempo.

P Será que tenho asma?
R – A asma pode ser diagnosticada em qualquer idade, mas é mais frequente na infância.
Os sintomas mais comuns são a sensação de peso ou “opressão” no peito, dificuldade na respiração, tosse e pieira ou sensação de “apitos” quando respira, podendo estes vir a ser audíveis.
O diagnóstico é feito pelo seu médico, com base nestes sintomas que podem ser variáveis ao longo do tempo. Poderá ser necessário efetuar uma espirometria, a fim de determinar o grau de obstrução dos seus brônquios.

P Quais são as causas da asma?
R – Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de asma são a existência na família de casos de asma e/ou alergia (eczema, rinite alérgica), a exposição na infância a elevados níveis de antigénios (moléculas que provocam alergias), como por exemplo os ácaros do pó da casa, ou a exposição ao tabaco.
Existem ainda fatores desencadeantes que podem ser de natureza alérgica (pólens, pêlo do cão ou do gato, ácaros do pó da casa) ou de natureza não alérgica (fumos, odores, exercício físico intenso, frio, fumo do tabaco, certos medicamentos como por exemplo a aspirina).

P Como posso tratar a minha asma?
R – Apesar de a asma ser uma doença crónica, o seu tratamento permite o completo controlo da doença, possibilitando uma vida completamente normal. Serão necessários contudo, cuidados contínuos.
Os medicamentos não são a única forma de controlar a doença. As medidas que permitem evitar ou eliminar os fatores desencadeantes são também fundamentais. Neste aspeto, a realização de testes cutâneos é fundamental para identificar os principais fatores desencadeantes de natureza alérgica (alergenos), de modo a diminuir ao máximo a exposição aos mesmos.
Existe medicação de alívio que permite anular ou diminuir a broncoconstrição, e existem medicamentos para controlo da doença e que visam eliminar a inflamação das vias aéreas.
A via de administração de toda esta medicação é sempre a inalatória, porque com menores doses de medicamento, se obtêm efeitos muito maiores do que através de qualquer outra via.