Raiva
O que é a raiva?
A raiva é uma doença zoonótica viral, transmitida por animais a humanos, sendo os cães a principal fonte de transmissão dos casos humanos e é quase sempre letal quando se desenvolve a doença. Contudo pode ser prevenida evitando comportamentos de risco e através da vacinação.
Há raiva em Portugal?
Não, Portugal é um país livre de raiva animal e sem ocorrência de casos humanos autóctones desde 1952, tendo o certificado de eliminação sido emitido em 1960.
Os raros casos de óbitos por raiva em Portugal nos últimos anos, foram devidos a pessoas que contraíram a doença em países onde a raiva animal existe e que apenas posteriormente viajaram para Portugal.
Qual a melhor forma de prevenir a raiva?
- Realizar um esquema de vacinação preventivo, se tem risco de adquirir a doença.
- Procurar aconselhamento médico imediato, se existe o risco de ter sido exposto.
O que é considerado um risco de exposição?
Se se encontra num país onde existe raiva animal, poderá ter sido exposto se ocorrer uma das seguintes interações com o animal:
- Mordedura, arranhadela, abrasão.
- Lambedura de pele não íntegra (ferida).
- Se foi contaminado nas regiões dos olhos, boca ou nariz, através de lambedura ou espirro, por exemplo.
Vou viajar. Como sei se irei estar em risco de exposição à doença?
Embora se saiba que a raiva é mais comum na Ásia, África, América Central e do Sul, recomenda-se agendar uma consulta do viajante antes de qualquer viagem, particularmente os grupos de risco como grávidas, crianças, idosos e indivíduos com doenças crónicas.
Há sites que nos podem ajudar a perceber que doenças ou surtos estão presentes em determinadas regiões, contudo, a decisão de administrar uma vacina tem em consideração não só a existência de determinada doença num local, mas também os comportamentos do viajante e a acessibilidade aos cuidados de saúde, a nível local.
Que animais transmitem raiva?
Nos casos humanos, os cães são a fonte de transmissão em 99% dos casos. Contudo, outros mamíferos como por exemplo macacos, raposas e morcegos também poderão transmitir a doença.
Como posso evitar a doença?
Deve evitar o contacto com animais que poderão ter raiva: (i) Não toque nem se aproxime de animais selvagens ou vadios, (ii) Não alimente animais, mesmo que em jardins zoológicos ou reservas naturais, (iii) Nunca toque em morcegos.
Deve ser vacinado se: (i) Viajar para áreas onde existe raiva e apresentar um perfil de risco (recomenda-se agendamento de consulta do viajante), ou se (ii) Trabalhar com animais que poderão estar afetados (Informe-se com o Serviço de Saúde e Segurança do Trabalho).
Quem pode receber a vacina?
A vacina contra a raiva pode ser administrada em qualquer grupo etário, incluindo crianças com menos de um ano de idade, idosos, mulheres grávidas ou doentes com várias patologias.
O que deve fazer se pensa que poderá ter sido exposto ao vírus da raiva?
Deve procurar sempre observação médica, mesmo que tenha realizado o esquema de vacinação preventivo.
Se se encontra em Portugal ligue para o SNS24 (808 24 24 24) ou recorra à sua unidade de saúde.
Se se encontra no estrangeiro deve procurar ajuda das autoridades de saúde locais, não deve esperar até chegar a Portugal.
Poderá ainda:
1.º) Lavar de imediato o(s) ponto(s) de contacto, com água abundante e sabão durante cerca de 15 minutos.
2.º) De seguida, aplicar um desinfetante contendo iodo ou outro antisséptico.
3.º) Se estiver a sangrar pode aplicar penso ou ligadura limpos, sem fazer demasiada pressão ou garrote.
No caso de contaminação nos olhos, nariz ou boca, realizar apenas o primeiro passo.
Não me apercebi do risco na altura, mas neste momento reconheço o risco de exposição ao vírus da raiva. O que posso fazer?
O período de incubação é relativamente longo, em média de 1 a 3 meses, podendo variar entre dias a vários anos, o que permite prevenir a doença (profilaxia pós-exposição), desde que não tenha sintomas sugestivos de raiva.
Vou viajar. Como posso adquirir a vacina?
A vacinação pré-exposição, no âmbito da prevenção da raiva no viajante, deve ser adquirida nas farmácias comunitárias, mediante prescrição médica.
Trabalho com animais. Será que estou em risco?
A maioria das pessoas que trabalham em Portugal tem baixo risco de contactar com o vírus da raiva. As exceções são profissionais de laboratório onde se manipula o vírus da raiva vivo, profissionais que lidam com animais que poderão ter raiva (originários de países endémicos ou morcegos).
Trabalho com animais. Como posso adquirir a vacina?
No caso dos trabalhadores profissionalmente expostos ao vírus da raiva, cabe ao empregador tomar as medidas necessárias para prevenir os riscos em estreita articulação com o Serviço de Saúde e Segurança do Trabalho.
Os encargos resultantes da vacinação dos trabalhadores contra a raiva são da responsabilidade da entidade empregadora, seja esta do setor público, privado ou social (Decreto-Lei n.º 84/97, de 16 de abril, na sua atual redação).
Quais são os sintomas?
O tempo médio de incubação varia entre um a três meses, embora tenham sido descritos casos superiores a um ano.
Clinicamente caracteriza-se por um período inicial de 2 a 7 dias que consiste em sintomas inespecíficos:
- Mal-estar geral;
- Febre;
- Dor de cabeça;
- Perda de apetite;
- Irritabilidade;
- Dor de garganta;
- Náuseas e vómitos;
- Alterações da sensibilidade, dor ou comichão no local de entrada do vírus.
Os sintomas normalmente agravam e podem incluir:
- Hiperatividade;
- Espasmos musculares dolorosos;
- Aumento da produção de saliva, suor, lágrimas;
- Alucinações (ver ou ouvir algo que não está presente);
- Convulsões;
- Paralisia (incapacidade de se mexer).
Tratamento
Não há tratamento específico, exceto medidas de conforto.
Salienta-se a importância da prevenção e da procura de ajuda assim que se reconheça um possível risco de exposição.
Norma
Links úteis para identificação dos países onde a raiva animal é enzoótica
https://wwwnc.cdc.gov/travel/destinations/list
https://www.who.int/data/gho/data/themes/topics/rabies
Links de guidelines de sociedades internacionais
https://www.ecdc.europa.eu/en/publications-data/expert-consultation-rabies-post-exposure-prophylaxis
https://www.who.int/publications/i/item/WHO-TRS-1012
https://www.who.int/publications/i/item/who-wer9316
https://www.who.int/publications/i/item/who-wer9207
https://www.cdc.gov/acip-recs/hcp/vaccine-specific/rabies.html
