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Consultas Respiratórias de Comunidade (CRC)

(Atualização dos antigos Centros de Diagnóstico Pneumológico – CDP)

1. O que são as Consultas Respiratórias de Comunidade (CRC)?

As CRC são unidades especializadas no rastreio, diagnóstico, tratamento e acompanhamento da tuberculose (TB). Substituem os antigos Centros de Diagnóstico Pneumológico (CDP) e estão integradas nas Unidades Locais de Saúde (ULS), garantindo proximidade, acessibilidade e continuidade de cuidados.

2. Existem diferentes tipos de CRC?

Sim. Existem dois níveis:

  • CRC‑A (Nível A) – unidades de referência com diferenciação em:
    • Tuberculose multirresistente (TBMR)
    • Tuberculose infantil (TBI)
    • Micobactérias não tuberculosas (MNT)
  • CRC‑B (Nível B) – unidades de resposta comunitária generalista, que acompanham a maioria dos casos de TB.

3. Quem pode recorrer a uma CRC?

Qualquer pessoa que se enquadre nas seguintes situações:

  • Exposição recente a um caso de tuberculose
  • Suspeita de tuberculose
  • Diagnóstico de tuberculose ativa ou latente
  • Pessoas em tratamento para TB
  • Pessoas imunodeprimidas ou prestes a iniciar terapêuticas imunossupressoras
  • Pessoas provenientes de países com elevada incidência de TB
  • Crianças com indicação para vacinação BCG e necessidade de rastreio prévio

4. É preciso carta de referenciação?

Não. O acesso é livre, gratuito e sem necessidade de referenciação. Qualquer pessoa que cumpra os critérios pode marcar diretamente uma consulta numa CRC.

5. As CRC podem recusar uma consulta?

Não. Todas as CRC têm a obrigatoriedade de agendar rastreio e observação médica a qualquer pessoa que recorra aos seus serviços para avaliação ou tratamento de tuberculose.

6. O que acontece na primeira visita?

Após a inscrição, o utente é encaminhado para a equipa de enfermagem para:

  • Inquérito de sintomas
  • Testes imunológicos (Prova de Mantoux – o mesmo que Teste tuberculínico e/ou IGRA)
  • Pedido de radiografia de tórax
  • Avaliação de fatores de risco

Depois é agendada consulta médica, onde serão definidos exames adicionais, tratamento preventivo ou seguimento conforme o caso.

7. Quem tem prioridade no atendimento?

  • Pessoas imunodeprimidas
  • Pessoas com VIH
  • Pessoas sob terapêuticas imunossupressoras
  • Crianças

8. Posso escolher qualquer CRC?

Sim. O modelo privilegia a proximidade e facilidade de acesso, permitindo que o utente recorra à CRC que lhe for mais conveniente.

9. Em que situações posso ser encaminhado para uma CRC‑A?

Quando existe necessidade de avaliação diferenciada, nomeadamente:

  • Tuberculose multirresistente
  • Tuberculose infantil
  • Formas graves ou complexas de TB
  • Infeções por micobactérias não tuberculosas

10. Por que motivo foi feita esta reorganização?

Para:

  • Melhorar o acesso e reduzir atrasos no diagnóstico
  • Reforçar a vigilância epidemiológica
  • Integrar cuidados entre CSP, Saúde Pública e hospitais
  • Concentrar a diferenciação técnica em centros de referência
  • Responder melhor às populações vulneráveis
  • Alinhar Portugal com os objetivos da OMS para eliminação da TB