Tuberculose » Perguntas e Respostas

Tuberculose na criança 

Como a tuberculose tem sido cada vez menos frequente no nosso país, a vacina com BCG deixou de ser universal. Desde 2016 que se faz BCG apenas em grupos de risco.

Considera-se atualmente como grupo de risco, as crianças que residem em freguesias de elevada incidência de tuberculose, crianças provenientes de países com alta incidência de tuberculose, quando os pais, coabitantes ou conviventes dessas crianças são provenientes desses países, crianças cujos pais, coabitantes ou conviventes apresentem história de infeção por VIH, dependência de drogas ou álcool ou antecedentes de tuberculose.

Sabe porque é importante que o seu filho faça rastreio?
Qualquer criança com contacto com um caso de tuberculose pulmonar deve ser rastreada, mesmo que não tenha sintomas e que o contacto tenha sido um por um curto período de tempo. O risco de adquirir infeção e doença é mais elevado na criança.

Em que consiste o rastreio de Tuberculose Pulmonar?
Consiste num inquérito de sintomas, realização de radiografia do tórax, prova de Mantoux (injeção no antebraço) e IGRA (colheita de sangue).

Se estiver tudo bem no primeiro rastreio, preciso mesmo de realizar o segundo rastreio?
Após um primeiro rastreio negativo é necessário repetir o rastreio 8 a 12 semanas após a última exposição ao doente com tuberculose. Só com os dois rastreios negativos se poderá concluir que não houve infeção pelo bacilo da tuberculose.

Quando devo suspeitar de tuberculose na criança?
A tosse persistente com ou sem febre e perda de peso devem fazer pensar em tuberculose. Como a evolução para tuberculose doença em crianças pequenas é muito frequente e rápida apos exposição, deve ser efetuado o rastreio precoce das crianças expostas.
 
O que é quimioprofilaxia?
É um tipo de tratamento de prevenção realizado em crianças de idade igual ou inferior a 5 anos ou imunocomprometidas após um contato com um doente com tuberculose após exclusão de doença.
 
Em que consiste a quimioprofilaxia e qual a sua duração?
Deve ser administrado um medicamento numa toma diária até ao segundo rastreio. Caso este seja negativo, suspende a medicação. 
 
Porquê fazer este tratamento se o meu (minha) filho(a) não está doente?
As crianças mais pequenas são as que apresentam maior risco de desenvolver tuberculose por imaturidade ou diminuição da função do seu sistema imunológico. O objetivo deste tratamento é de prevenir a infeção pelo bacilo da tuberculose.
 
Quais os efeitos secundários deste tratamento?
Nas crianças o risco de toxicidade medicamentosa é muito baixo e os efeitos adversos são raros. Apenas é necessário realizar análises em alguns casos específicos.
 
O que é infeção latente de Tuberculose?
A infeção latente não é igual a ter tuberculose. Após um contacto próximo com um doente com tuberculose, ocorre inalação de partículas contendo o bacilo da tuberculose. Na maioria dos casos, não se manifesta a doença, ficando a infeção latente, isto é “adormecida”, podendo manifestar-se mais tarde se não for tratada.
Na infeção latente os testes de rastreio (Prova de Mantoux e/ou IGRA) serão positivos, mas a criança está bem, sem sintomas e sem alterações na radiografia de tórax.

Em que consiste o tratamento e qual a sua duração?
Existem vários esquemas de tratamento. O mais indicado consiste na administração diária da isoniazida (em xarope ou comprimido) durante 9 meses. Está provado que reduz em cerca de 90% o risco de evolução para doença.

Porquê fazer este tratamento se o meu (minha) filho(a) não está doente?
O tratamento da infeção é fundamental para evitar a evolução para doença. Cerca de 40% das crianças mais pequenas com infeção latente não tratada desenvolvem doença nos dois primeiros anos após infeção.