Saúde ambiental » Áreas de intervenção » Vetores
Vetores
O termo “vetor” é usado para descrever organismos, geralmente insetos ou outros artrópodes, que transmitem agentes infeciosos - como vírus, bactérias, protozoários ou fungos - entre animais e seres humanos e/ou entre seres humanos.
A transmissão pode ocorrer de duas formas:
1) biológica: o agente infecioso desenvolve-se ou multiplica-se dentro do corpo do vetor antes de ser transmitido - por exemplo, através da picada.;
2) mecânica: o vetor transporta o agente infecioso no seu corpo, como nas patas ou trato digestivo, sem que haja desenvolvimento interno.
Os exemplos mais comuns de vetores incluem:
- mosquitos, que podem transmitir vírus como dengue, zika ou chikungunya;
- carraças, que podem transmitir doenças como a febre da carraça ou a doença de Lyme.
Em Portugal, a Rede de Vigilância de Vetores (REVIVE), criada em 2008, é responsável pela monitorização sistemática de mosquitos e outros vetores com potencial para transmitir doenças infeciosas de relevância em saúde pública, bem como pela pesquisa de agentes patogénicos (como vírus) associados a esses vetores.
A vigilância decorre ao longo de todo o ano, com maior intensidade entre maio e outubro, período de maior atividade vetorial. Nos locais considerados prioritários — incluindo aeroportos, portos, áreas de armazenamento e transporte de mercadorias, empresas de recauchutagem de pneus e regiões fronteiriças —, a monitorização é realizada de forma contínua durante todo o ano, em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), que visa prevenir a introdução e disseminação transfronteiriça de doenças.
O REVIVE tem como objetivos:
- Monitorizar a atividade de artrópodes, como mosquitos e carraças, que se alimentam de sangue;
- Identificar as espécies presentes em Portugal e acompanhar a sua distribuição ao longo do ano;
- Detetar agentes patogénicos (vírus, bactérias, protozoários) com relevância para a saúde pública;
- Cumprir os requisitos do Regulamento Sanitário Internacional (RSI), garantindo vigilância em pontos de entrada no país;
- Definir níveis de alerta que orientem a atuação das autoridades de saúde para intervenção.
Este programa resulta de protocolo entre a Direção-Geral da Saúde, as ex-Administrações Regionais de Saúde do Algarve, Alentejo, Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Norte, a Direção Regional de Saúde da Madeira, a Direção Regional de Saúde dos Açores e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).
INSA - Rede de Vigilância de Vetores | REVIVEA maioria das doenças transmitidas por mosquitos apresenta um padrão sazonal, ou seja, ocorre com mais frequência em determinadas épocas do ano. Isto deve-se a fatores climáticos como a temperatura, a precipitação, a humidade e mesmo a direção e velocidade do vento que influenciam diretamente o comportamento e o ciclo de vida dos mosquitos.
Alguns fatores climáticos como a temperatura, precipitação, humidade e a velocidade e direção do vento influenciam fortemente a ecologia, o desenvolvimento, comportamento e sobrevivência dos vetores hospedeiros e consequentemente, a dinâmica da transmissão de doenças. Estes fatores afetam:
1) o desenvolvimento das larvas e pupas;
2) a sobrevivência dos mosquitos adultos;
3) atividade de picada e procura de hospedeiros;
4) a distribuição geográfica dos vetores.
Consequentemente, o clima tem um papel importante na dinâmica de transmissão das doenças, podendo aumentar ou reduzir o risco de surtos.
---> Principais mosquitos que podem transmitir doenças: Aedes; Anopheles; Culex.
Aedes
Mosquitos invasores com impacto em saúde pública:
As espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus são consideradas mosquitos invasores, com capacidade para causar impacto económico, ambiental e na gestão da saúde pública. São ambos vetores primários de vírus importantes (p.e. dengue, febre amarela, chinkungunya, Zika). O Aedes aegypti é o principal vetor destas doenças, sendo que o Aedes albopictus também é capaz de as transmitir, embora com menor eficácia.
A presença de Aedes albopictus em Portugal Continental e o estabelecimento de Aedes aegypti no arquipélago da Madeira são exemplo da elevada capacidade destas espécies para invadir novos territórios e adaptar-se a diferentes ambientes, incluindo zonas urbanas e periurbanas.
Para obter mais informação sobre o mosquito Aedes Albopictus consulte este link.
Anopheles - Género presente em Portugal com várias espécies, incluindo a espécie vetor primário da malária em Portugal, Anopheles atroparvus.
- Filariose linfática;
- Malária.

- Encefalite japonesa;
- Filariose linfática;
- Vírus do Nilo Ocidental.

As carraças encontram-se entre os vetores mais relevantes na transmissão de agentes infeciosos, afetando tanto animais como seres humanos. A sua importância resulta da capacidade de se fixarem à pele dos hospedeiros e de transmitirem uma grande variedade de vírus, bactérias, protozoários e outros agentes infeciosos.
As carraças são ácaros, parasitas hematófagos obrigatórios, ou seja, dependem de um hospedeiro para se alimentarem de sangue e completarem o seu ciclo de vida. Ao longo do seu ciclo alternam entre as fases de vida livre – no ambiente - e vida parasitária - sobre o hospedeiro.

Fonte: PORTUGAL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, IP REVIVE 2024 - Culicídeos,Ixodídeos e Flebótomos: Rede de Vigilância de Vetores / Centro de Estudos de Vetores e Doenças Infeciosas Doutor Francisco Cambournac. - Lisboa : Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, IP, 2025. - 77 p. : il.
As carraças possuem um conjunto de características peculiares que contribuem para o seu sucesso como vetores de agentes infeciosos, afetando tanto animais como seres humanos:
- Alimentam-se de grandes quantidades de sangue ao longo da vida em várias fases do seu desenvolvimento;
- Sincronizam a sua atividade com os hospedeiros;
- Têm pequenas dimensões, o que dificulta a sua deteção;
- As suas Picadas são indolores, permitindo que permaneçam agarradas ao hospedeiro por longos períodos sem serem notadas;
- Possuem ciclo de vida longo, que pode durar vários anos;
- Produzem grandes quantidades de ovos.
Em Portugal, atualmente, destacam-se:
- Género Rhipicephalus: os mais frequentes e em maior número no nosso país. A espécie principal, Rhipicephalus sanguineus, conhecida como a carraça do cão, é o vetor primário de Rickettsia conorii, agente etiológico da febre escaro-nodular ou febre da carraça. Cada vez mais, está ativa durante todo o ano, no entanto, tem maior atividade na primavera e verão;
- Género Ixodes: cuja espécie mais importante é a Ixodes ricinus. Destaca-se pela transmissão do agente etiológico da Doença de Lyme (Borrelia burgdorferi sensu lato) ao Homem. Está ativa durante primavera, outono e inverno;
- Género Hyalomma: são as de maiores dimensões e aparecem essencialmente em gado bovino. São vetores do vírus Crimeia-Congo responsável, no Homem, pela Febre hemorrágica Crimeia-Congo. Ativas durante a primavera e verão.
Os flebotomíneos são pequenos insetos que podem transmitir doenças, como a leishmaniose, que é endémica em Portugal. Esta doença afeta humana e cães, sendo transmitida pela picada de fêmeas infetadas, sendo a espécies Phlebotomus perniciosus a mais comum no país). Nos cães, a leishmaniose canina tem tido uma prevalência crescente e pode ser grave. A prevenção passa por medidas como o uso de repelentes, vacinação para cães, evitar a exposição nos horários de maior atividade dos flebotomíneos e o controlo ambiental, como por exemplo:
- Limpar regularmente quintais, currais e canis, removendo fezes, folhas e restos orgânicos;
- Garantir boa gestão de resíduos sólidos e esgotos na comunidade;
- Manter o solo seco e bem drenado, evitando a existência de áreas húmidas;
- Podar vegetação densa e controlar ervas altas junto às casas e abrigos de animais;
- Tapar fendas em muros, paredes e pavimentos que possam servir de abrigo;
- Usar coleiras inseticidas em cães para reduzir a transmissão zoonótica.
Como reconhecer os fleotomíneos:
São dípteros de pequenas dimensões, com corpo e asas densamente pilosos e dispostas em posição vertical em repouso, ao passo que os mosquitos apresentam maior porte, corpo delgado e asas lisas mantidas paralelas ao corpo.
Os flebótomos alimentam-se por telmofagia, ou seja, da gota de sangue que se forma à superfície após o corte, podendo por isso ser também denominadas de pool feeders.


Flebótomos adultos. Macho à esquerda, fêmea à direita. Fonte: INSA
