SNS
DGS

Perguntas e Respostas

Perguntas e Respostas - Atividade Física 
 

1. Qual a diferença entre ‘atividade física’, ‘exercício físico’ e ‘desporto’?


O termo mais abrangente, atividade física, contempla qualquer movimento realizado pela musculatura esquelética do corpo (os principais músculos), que resulte num dispêndio energético acima dos valores de repouso. Exercício físico compreende toda a prática consciente de atividade física, realizada com um objetivo específico (ex. melhorar a saúde) e bem delineada no tempo, com ou sem prescrição. É geralmente uma prática planeada. O termo desporto associa-se ao jogo e à competição, correspondendo ao sistema organizado de movimentos e técnicas corporais executados no contexto de atividades competitivas regulamentadas.



2. Quais os níveis recomendados de atividade física para os adultos?


Recomenda-se que os adultos acumulem, pelo menos, 150 minutos por semana de atividade física de intensidade moderada, ou 75 minutos de atividades vigorosas (ou uma combinação equivalente). Adicionalmente, devem praticar atividades que contribuam para melhorar ou manter a força e resistência musculares, pelo menos, duas vezes por semana. As recomendações devem ser entendidas como uma meta a atingir e não como um rígido critério de diagnóstico (“ativo” / “não ativo”). Existem muitas formas de incluir mais atividade física no dia-a-dia.



3. Quais os níveis recomendados de atividade física para as crianças? 


Recomenda-se que as crianças e adolescentes pratiquem diariamente, pelo menos, 60 minutos de atividade física de intensidade moderada a vigorosa. Tal deve incluir, pelo menos 3 vezes por semana, 20 a 30 minutos de atividades como correr, subir e descer, saltar ou outras atividades que solicitem o sistema musculoesquelético para a melhoria da força muscular, da flexibilidade e resistência óssea,.



4. Quais as recomendações de atividade física das pessoas mais velhas?


O movimento é essencial para que o idoso mantenha o equilíbrio fisiológico e psicológico que lhe permita gozar uma velhice plena e manter-se autónomo e ativo. Se possível, a pessoa idosa deve participar em, pelo menos, 30 minutos de atividade aeróbia de intensidade moderada (p.ex., caminhada), pelo menos 5 dias por semana, ou 3 sessões de 20 minutos de atividade aeróbia vigorosa (ou uma combinação de ambas), no sentido de promover a sua saúde e funcionalidade. É, ainda, reforçada a importância de realizarem exercícios de equilíbrio, flexibilidade e força envolvendo grandes grupos musculares, 2 a 3 vezes por semana.



5.  O que significa realizar atividade física ‘moderada’?


Qualquer atividade física pode ser classificada num nível de intensidade – desde ‘leve’, até ‘moderada’, ou ainda ‘vigorosa’ ou ‘muito vigorosa’ – de acordo com o esforço que requer aos sistemas muscular, respiratório e cardiovascular (entre outros). Regra geral, uma atividade ou exercício moderado faz elevar a taxa respiratória e a frequência cardíaca de forma sensível e acima do normal (repouso) e costuma provocar algum aquecimento corporal. Habitualmente, uma pessoa consegue ainda manter uma conversa, mas já não conseguiria cantar, quando envolvida numa atividade moderada. Um exemplo é caminhar rapidamente, tal como quando uma pessoa vai atrasada para apanhar um transporte. 



6. É necessário fazer exercício vigoroso (p.ex., corrida, desportos muito ativos ou atividades de ginásio) para ter benefícios na saúde?


Não. Há benefícios para a saúde associados a todas as intensidade e tipos de atividade física e por isso se recomenda que ‘qualquer atividade física é melhor que nenhuma’. Por exemplo, mesmo atividade leves, se repetidas frequentemente ou se interromperem períodos longos de sedentarismo, contribuem para o dispêndio energético ao longo dia (positivo para prevenir a obesidade) e ajudam os músculos a manter um metabolismo mais saudável (positivo para prevenir a diabetes tipo II).



7. Qual a prevalência da inatividade física em Portugal?


Cerca de 80% da população não pratica atividade física suficiente para cumprir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Contudo, importa considerar que estas recomendações contemplam sobretudo a prática de exercício físico e desporto. É possível ter uma vida fisicamente ativa através de outras alterações no dia-a-dia que levem a realizar mais movimento – no trabalho, em casa e, sobretudo, nas deslocações. Entre as crianças com 10-11 anos, 64% são pouco ativas fisicamente. O valor da inatividade física sobe abruptamente para mais de 95% em jovens com 16-17 anos.



8. Em que doenças e condições de saúde tem a atividade física um efeito comprovadamente positivo?


São mais de 20 as doenças e condições relacionadas com a saúde para as quais existe evidência científica de um papel positivo da atividade física regular. A atividade física reduz as taxas de mortalidade por todas as causas, doença coronária, a hipertensão, trombose (AVC), síndrome metabólico, diabetes tipo II, cancro da mama e colorretal, depressão e quedas. Há, ainda, evidência forte para um efeito na aptidão cardiorespiratória e muscular, no peso e composição corporal, na saúde óssea, na funcionalidade e autonomia física, e na função cognitiva. 



9. Qual o custo da inatividade física em Portugal?


Esse valor não foi ainda estimado com precisão, mas calcula-se que se a inatividade física atingisse (apenas) 50% da população portuguesa, os custos seriam de cerca de 900 milhões de euros. No entanto, a inatividade física parece atingir níveis tão elevados como 77% da nossa população. Estes custos dizem respeito a despesas com doenças que a atividade física poderia prevenir (8% das doenças das artérias coronárias, 11% dos casos de diabetes tipo II, 14% dos casos de cancro da mama e 15% de cancro colorretal) e com a mortalidade prematura associada.



10. Existem metas propostas pela Organização Mundial de Saúde no âmbito da atividade física?


Sim. Em 2013, foi definida pela OMS a meta de reduzir em 10% a inatividade física nos países membros, até 2025, no contexto de um Plano de Ação Global para a prevenção e controlo das doenças não-transmissíveis. Este plano, a que Portugal aderiu voluntariamente, inclui 8 metas adicionais em outras áreas, por exemplo, para a alimentação, consumo de tabaco e álcool, e prevenção da diabetes e obesidade. 



11. Quais são as melhores estratégias para aumentar os níveis de atividade física das populações?


É imprescindível a definição de uma estratégia coletiva, que garanta a ação sinérgica de vários setores sociais, e que envolva:

- Intervenções na escola, incluindo a Educação Física, a prática desportiva escolar e ambientes físicos favoráveis à atividade física;  

- Aconselhamento sobre atividade física nos serviços de saúde; 

- Um sistema desportivo que promova o desporto para todos e em todas as idades;

- Comunicação em massa para a população sobre atividade física;

- Bons programas comunitários, apoiados nos recursos locais;

- Desenvolvimento de ambientes e políticas promotores do transporte ativo (ciclovias, passeios pedonais, organização dos transportes públicos);

- Intervenções eficazes noutros contextos de vida, como o trabalho e a universidade.



12. Em que consiste a mobilidade ativa (ou transporte ativo) e de que forma está associada à promoção da atividade física?


O ambiente natural e construído pode atuar como uma barreira, reforçando o comportamento sedentário e a dependência do automóvel. Pelo contrário, pode e deve incentivar estilos de vida mais ativos. O ordenamento do território, as vias públicas e o sistema de transportes de uma cidade podem influenciar as escolhas por uma mobilidade mais ou menos ativa. Andar a pé ou de bicicleta, como meio de transporte ou de lazer, deve tornar-se numa das estratégias mais práticas e sustentáveis para aumentar a atividade física dos cidadãos de todas as idades. 



13. Qual o papel da escola na promoção da atividade física?


A escola tem um elevado potencial para influenciar os comportamentos das crianças e jovens, incluindo a sua atividade física e desportiva. Por esta razão, os jovens em idade escolar constituem um grupo-alvo prioritário das políticas de promoção da saúde, designadamente no âmbito da disciplina de Educação Física, mas também através do Desporto Escolar. A Educação Física, presente ao longo de toda a escolaridade obrigatória, deve transmitir conhecimentos, atitudes e habilidades motoras essenciais para a manutenção de estilos de vida ativos, no contexto da promoção da literacia física. 



14. Em que consiste a avaliação e o aconselhamento breve de atividade física na consulta de Medicina Geral e Familiar?


A avaliação dos níveis de atividade física dos utentes é facilmente realizada através de duas a três perguntas curtas e fechadas que podem ser respondidas em cerca de 30 segundos. Em consulta, dificilmente haverá tempo para envolver o utente numa conversa mais profunda sobre os seus hábitos de atividade física. No entanto, existem passos simples que podem ser adotados para o médico se certificar que o utente percebeu a importância da atividade física na sua saúde.



15. Quem são os profissionais de exercício físico?


Um profissional de exercício físico está preparado para avaliar, planear, prescrever e acompanhar sessões e programas de exercício físico com pessoas saudáveis e, em função da sua formação académica e especialização, a pessoas com doenças e condições pré-existentes. Em Portugal, a Lei nº 39/2012, de 28 de agosto, determina, através da atribuição de um título profissional, a responsabilidade pelas atividades desenvolvidas em ginásios, academias ou health clubs nas figuras do Diretor Técnico (DT), com funções de coordenação e supervisão; e do Técnico de Exercício Físico, com a função de planear, prescrever e orientar atividades de fitness.

Não existe atualmente legislação para a intervenção profissional neste âmbito realizada noutros contextos, nomeadamente no sistema de Saúde ou fora das instalações referidas (p.ex., em freelancing). Noutros países, as figuras do Personal Trainer e do Fisiologista do Exercício / Fisiologista Clínico do Exercício têm um perfil de formação e um corpo de intervenção profissional definidos e existem associações profissionais e entidades certificadoras reconhecidas que contribuem para a regulação e reconhecimento social da profissão e da respetiva área de intervenção. 



16. Qual o papel dos programas comunitários na promoção da atividade física e como podem ser potenciados?


Existem muitos programas de promoção de atividade espalhados pelo país. Para que tenham impacto na população, existem alguns critérios de qualidade a considerar. Os programas devem refletir os contextos sociais e culturais em que se integram; devem envolver múltiplos agentes e parceiros (autarquias, serviços de saúde, setor privado, universidades); devem ter modelos de implementação bem definidos (‘manualizados’, baseados em evidência científica, suportados teoricamente, incorporando sistemas de monitorização); e devem partir de uma sólida compreensão e adequação à população-alvo, procurando o seu envolvimento e a equidade no acesso. É ainda central a avaliação destes programas quanto ao seu custo-efetividade.



17. Quantas horas de Educação Física têm os alunos do ensino obrigatório, nos vários ciclos?


O número de horas da disciplina de Educação Física varia entre os diferentes níveis de ensino. No primeiro ciclo do ensino básico (1º ao 4ª ano), não existe um número de horas determinado. Existe uma componente curricular designada de ‘expressões artísticas e físico-motoras’ que tem, pelo menos, 180 minutos semanais, mas a gestão desse tempo é da responsabilidade do professor titular da turma. Para o 2º ciclo do ensino básico (5º e 6º anos), os alunos têm, pelo menos, 135 minutos por semana. No 3º ciclo do ensino básico (7º ao 9º ano), existe flexibilidade horária da parte das escolas, mas regra geral os alunos têm 135 minutos semanais. Relativamente ao ensino secundário (10º ao 12º ano), os alunos têm, pelo menos, 150 minutos semanais.



18. Quais as atividades físicas preferidas dos Portugueses?


A caminhada é referida como a atividade preferida em portuguesas e portugueses – nestes últimos, com o futebol juntamente no topo. Nas preferências femininas, seguem-se o ginásio e a natação (mais afastadas do pódio); nos homens, a corrida e o ciclismo. Os mais jovens (<35 anos) elegem o ginásio e a corrida (e o futebol, apenas para os homens) como favoritos. Acima dos 55 anos, ambos os sexos indicam a caminhada como atividade preferida (55%), assinalando-se que 23% deste grupo etário não identifica qualquer preferência. Ao longo da idade, a atividade que menos varia como preferência é a natação (6-11%).



19. Quais as barreiras para a prática de atividade física mais vezes reportadas?


Para 45% dos portugueses, as principais barreiras compreendem fatores que denotam, em última instância, a sua falta de motivação (‘falta de interesse’, ‘falta de gosto pela competição’, ‘falta de tempo’ denotando baixa apetência). Fatores externos e falta de oportunidade representam 40% das barreiras apontadas (custo, acesso, falta de companhia, falta de tempo “real”), sendo que fatores relacionados com a saúde (incapacidade física, doença ou receio de contrair lesão) representam 15% das barreiras para a prática de atividade física.



20. Qual a ação do Ministério da Saúde para promover a atividade física dos portugueses?


A Direção-Geral da Saúde criou, em 2016, o Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física (PNPAF). É um de 11 ‘programas prioritários de saúde’ do Governo, que incluem programas dirigidos à promoção da alimentação saudável, da saúde mental, ao combate à diabetes, tabagismo e doenças oncológicas, cardiovasculares e outras. O PNPAF funciona como mecanismo de implementação da Estratégia Nacional para a Promoção da Atividade Física, da Saúde e do Bem-estar, cujos objetivos centrais são “consciencializar a população para a importância da atividade física na saúde” e a “implementação de políticas intersetoriais e multidisciplinares que visem a diminuição do sedentarismo e o aumento dos níveis de atividade física”. 



21. Em que medida a saúde ocupacional desempenha um papel determinante na promoção da atividade física dos adultos?


Uma grande parte da população em idade ativa desenvolve a sua atividade profissional de forma sedentária, nomeadamente na posição sentada, por longos períodos de tempo. Este tem sido destacado como um comportamento de saúde negativo emergente, no qual a saúde ocupacional desempenha um papel determinante, na procura da redução destes períodos. Estudos recentes apontam pequenas transformações do ambiente laboral como medidas que estimulam um estilo de vida mais saudável e ativo, nomeadamente a utilização de mesas elevatórias (permitem desenvolver a atividade profissional de pé, interrompendo o tempo sentado), o desenvolvimento de atividade física programada, de forma integrada no horário de trabalho, entre outras.