Direção-Geral da Saúde

Perguntas e Respostas

O que são as Consultas Respiratórias de Comunidade (CRC)?

As Consultas Respiratórias de Comunidade (CRC) são a nova estrutura de prestação de cuidados especializados em tuberculose (TB) em Portugal, resultante da reorganização nacional dos serviços de saúde nesta área. Substituem os anteriores Centros de Diagnóstico Pneumológico (CDP), mantendo a sua missão essencial, mas integrando‑se agora de forma mais clara e estruturada nas Unidades Locais de Saúde (ULS).

As CRC constituem unidades de proximidade, acessíveis e gratuitas, dedicadas ao rastreio, diagnóstico, tratamento e acompanhamento da tuberculose e outras situações respiratórias relevantes. Podem funcionar como unidades autónomas dentro da ULS ou estar integradas nos Cuidados de Saúde Primários, Saúde Pública ou Serviços de Pneumologia, dependendo da organização local.

Existem dois níveis de CRC:

  • CRC‑A (Nível A) – unidades de referência nacional/regional, com diferenciação em
    • Tuberculose multirresistente (TBMR)
    • Tuberculose infantil (TBI)
    • Infeções por micobactérias não tuberculosas (MNT)
  • CRC‑B (Nível B) – unidades de resposta comunitária generalista, assegurando o rastreio, diagnóstico e tratamento da maioria dos casos de TB.

As equipas das CRC incluem médicos, enfermeiros, técnicos e administrativos com formação específica em tuberculose, garantindo continuidade de cuidados, estabilidade das equipas e articulação estreita com:

  • Cuidados de Saúde Primários
  • Unidades de Saúde Pública
  • Serviços hospitalares
  • Laboratórios
  • Serviços farmacêuticos
  • Organizações comunitárias

Este novo modelo reforça a integração de cuidados, a vigilância epidemiológica e a capacidade de resposta às populações mais vulneráveis.

Quem deve recorrer às CRC?

Devem recorrer às CRC todas as pessoas que se enquadrem em qualquer das seguintes situações:

  • Exposição recente a um caso de tuberculose
  • Suspeita de tuberculose
  • Diagnóstico de tuberculose ativa ou latente
  • Pessoas em tratamento para tuberculose
  • Pessoas imunodeprimidas ou que vão iniciar terapêuticas imunossupressoras
  • Pessoas provenientes de países com elevada incidência de TB
  • Crianças com indicação para vacinação BCG e necessidade de rastreio prévio

O acesso é gratuito e não exige carta de referenciação. Qualquer pessoa que cumpra os critérios pode solicitar diretamente uma consulta numa CRC. Sempre que exista avaliação médica prévia, é recomendado levar documentação clínica para facilitar a orientação diagnóstica e terapêutica.

As CRC têm obrigação de agendar consulta e rastreio a qualquer pessoa que recorra aos seus serviços para avaliação de tuberculose.

Como decorre o atendimento numa CRC?

Após a inscrição, o utente é encaminhado para a equipa de enfermagem para:

  • Inquérito de sintomas
  • Agendamento de testes imunológicos (Teste tuberculínico e/ou IGRA)
  • Pedido de radiografia de tórax
  • Avaliação de fatores de risco e comorbilidades

Segue‑se a consulta médica, onde serão definidos:

  • Exames adicionais, se houver suspeita de tuberculose ativa
  • Indicação para tratamento preventivo, se houver infeção latente
  • Repetição de rastreio, quando aplicável (ex.: contactos recentes)

Pessoas imunodeprimidas, crianças e pessoas com VIH têm prioridade no atendimento.

Situações que podem exigir referenciação para CRC‑A

Em casos complexos, pode ser necessária avaliação em unidades de referência (CRC‑A), nomeadamente:

  • Tuberculose multirresistente
  • Tuberculose infantil
  • Formas graves ou extrapulmonares
  • Infeções por micobactérias não tuberculosas

Porquê esta reorganização?

A reorganização dos cuidados de saúde em tuberculose surge da necessidade de:

  • Melhorar o acesso e reduzir atrasos no diagnóstico
  • Reforçar a vigilância epidemiológica
  • Integrar cuidados entre CSP, Saúde Pública e hospitais
  • Concentrar a diferenciação técnica em centros de referência
  • Responder às populações mais vulneráveis
  • Alinhar Portugal com os objetivos da OMS para eliminação da TB

O novo modelo mantém a proximidade e acessibilidade dos antigos CDP, mas reforça a coordenação, a qualidade e a estabilidade da resposta.