Serviço Nacional de Saúde | 40 Anos | 1979-2019
Direção-Geral da Saúde

Programa de Vigilância de Infeções nas Unidades de Cuidados Intensivos de Neo Natais VE-UCIN

Nas Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN), devido à sua especificidade e ao nível de risco elevado dos recém-nascidos (RN), sobretudo, os RN de muito baixo peso (RNMBP) para a infeção associada aos cuidados de saúde (IACS), devem ser definidas atividades de vigilância epidemiológica da infeção de cariz mandatório.

A vigilância epidemiológica (VE) nestas Unidades é fundamental, não só porque permite conhecer a realidade epidemiológica específica das mesmas, como também, os resultados podem ajudar os profissionais de saúde a melhor direcionar as suas práticas no sentido da segurança clínica dos recém-nascidos e da qualidade dos cuidados.

Em 1998, através da Secção de Neonatologia (SNN) da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), foi realizado um estudo retrospetivo referente a 1997, vindo-se depois a estudar os resultados das hemoculturas em RN com sépsis, englobando 13 UCIN.

Em 2001, este Programa passou a integrar a Rede de Vigilância do então Programa Nacional de Controlo de Infeção (PNCI). Foram revistas as definições e conceitos utilizados em estudos internacionais, de modo a poder comparar resultados. Dos protocolos de Vigilância Epidemiológica (VE) em RN existentes, o mais antigo e testado era o dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Na Europa, a Alemanha foi o único país que abordou especificamente a prevenção e controlo de infeção na área dos RN. O protocolo alemão, denominado NEO-KISS, propunha definições mais específicas para algumas das infeções onde se verificava menor especificidade nas definições do CDC. Em Portugal optou-se por adotar o protocolo alemão, após testar e reajustar as definições propostas, de acordo com os dados obtidos nos estudos piloto realizados.

Em Outubro de 2006, foi possível colocar-se a base de dados do Programa em ambiente Internet, (plataforma INSA-RIOS – www.insa-rios.net), integrando a rede nacional de vigilância epidemiológica, permitindo o registo dos dados e a obtenção dos relatórios pré-formatados locais e nacionais em tempo útil.

Apesar de algumas UCIN realizarem os seus próprios estudos de VE da infeção de origem hospitalar, a obtenção de dados nacionais e a possibilidade de comparar resultados locais, nacionais e internacionais, tem um interesse acrescido no diagnóstico das situações e procedimentos de risco e na definição de estratégias com vista ao aumento da segurança e da qualidade dos dos cuidados prestados.

 Os objetivos do Programa VE-UCIN são:

  • Determinar a dimensão da infeção nestas Unidades, em função da exposição ao factor de risco;
  • Determinar a razão e utilização dos dispositivos invasivos em função do total de dias de internamento;
  • Determinar as taxas de infeção e a sua distribuição por local;
  • Comparar o desempenho entre UCIN, relativamente aos parâmetros atrás descritos;
  • Obter dados nacionais para comparação - “benchmark” - numa amostra significativa de UCIN;
  • Melhorar continuamente as práticas de acordo com os resultados obtidos.

Coordenam atualmente o Programa, a equipa da Direção do PPCIRA para a área da Vigilância, a Professora Dra. Teresa Neto e a Dra. Alexandra Almeida.

Contactos: ppcira@dgs.min-saude.pt; ppcira-veucin@dgs.min-saude.pt

 A base de dados deste programa está disponível na plataforma em rede, INSA-RIOS-Net, em: https://rios-insa.min-saude.pt/

 Critérios para Participação das UCI de Neonatologia neste Programa de Vigilância:

  • Participam neste programa as UCIN do sistema público e privado que cumpram as seguintes condições:
  • Ser uma Unidade de Cuidados Intensivos de nível III – Hospitais de Apoio Perinatal Diferenciado, com Cuidados Intensivos Neonatais (HAPD);
  • RN em Ventilação de longa duração;
  • Ausência de restrições à admissão de RN baseadas no peso ao nascer;
  • Concordância do Conselho de Administração e do Director do Serviço;
  • Aplicação correta das definições propostas no protocolo de consenso no País;
  • Cumprimento dos prazos definidos pelo PPCIRA relativamente à digitação dos dados, para obter os relatórios em tempo útil;
  • Aceitação das intervenções consideradas necessárias para validação dos dados enviados.

Uma vez iniciada a participação de uma UCIN no programa, a mesma deve manter-se por todo o ano civil. É desejável que as unidades participem de forma continuada, contribuindo assim para uma melhor exploração das potencialidades deste Programa de VE.

Os Médicos que em cada Hospital/Maternidade implementam o Programa VE-UCIN devem poder participar nas ações de formação para utilização do software e nas reuniões programadas, para monitorização do programa.

Para aderir ao Programa de Vigilância da Infeção em Unidades de Cuidados Intensivos (HAI-Net-UCI) deverá tomar conhecimento do Protocolo de Vigilância do referido Programa e, ler e assinar o Formulário de Adesão ao Programa e enviá-lo para a DGS/PPCIRA, e GCR-PPCIRA da área de referência, segundo as instruções inclusas no documento.