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Projecto "Via Verde da Sépsis" ganha Prémio Boas Práticas em Saúde 2010

Este projecto, da autoria do Dr. Miguel Soares de Oliveira, concorreu ao Prémio Boas Práticas em Saúde 2010, organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar, pela Administração Central do Sistema de Saúde, o Alto Comissariado da Saúde, a Direcção-Geral da Saúde e as Administrações Regionais de Saúde tendo ficado em primeiro lugar.

Sobre o Projecto "Via Verde da Sépsis":

Dados portugueses indicam que 22% dos internamentos em unidades de cuidados intensivos são devidos a Sépsis adquirida na comunidade. Estes casos originam uma mortalidade hospitalar global de cerca de 40%, ou seja quase três vezes superior à mortalidade dos casos de AVC internados no ano de 2007. A mortalidade das formas mais graves de Sépsis, nomeadamente do choque séptico, atinge 51%.

Dados recentes, vindos da Europa e dos Unidos da América (EUA), indicam que a Sépsis representa um grave problema de saúde pública, comparável ao acidente vascular cerebral (AVC) e ao enfarte agudo do miocárdio (EAM).

Acresce que a incidência da doença cardiovascular está a diminuir, ao passo que a da Sépsis aumenta pelo menos 1,5% ao ano. Este aumento de incidência radica no envelhecimento da população, na maior longevidade de doentes crónicos, na crescente existência de imunossupressão por doença ou por iatrogenia e no maior recurso a técnicas invasivas. A gravidade dos casos de Sépsis parece estar também a aumentar, sendo maior o número de doentes com falência orgânica associada à Sépsis (Sépsis grave). O aumento de incidência determinou aumento do número de mortos por Sépsis nos últimos anos, sendo também comparável à mortalidade por AVC e por EAM.

Como para o AVC e o EAM, existe para a Sépsis um conjunto de atitudes que, se realizados numa fase precoce da doença, reduzem a morbi-mortalidade. Estas atitudes incluem a identificação e estratificação rápidas de doentes, a utilização de antibióticos numa fase precoce e de estratégias de ressuscitação hemodinâmica (aumento da tensão arterial) guiada por objectivos. Sabemos hoje, por exemplo, que por cada hora que demoremos a administrar os antibióticos adequados, há uma redução de 7.6% na sobrevivência.

Para além destes claros ganhos em, saúde, a implementação de um protocolo terapêutico de Sépsis permite não só diminuir a mortalidade, mas, também, um redução substancial dos custos para as instituições. Uma implementação alargada destes protocolos terapêuticos representa um meio potencial para a melhoria da utilização dos recursos existentes, com contenção simultânea dos custos.

O único estudo multicêntrico português  realizado e publicado na revista Critical Care Medicine em 2009 revela também que é grande a margem de melhoria na resposta que os serviços de urgência nacionais dão aos casos de Sépsis grave e choque séptico, nomeadamente no que diz respeito à realização e ao timing de doseamento de lactato sérico (para identificação dos casos de sépsis) e ao timing de administração dos antibióticos.

Para melhorar esses resultados, diminuindo a mortalidade e as complicações da sépsis, decidiu a ARS Norte, em 2009, e posteriormente a DGS, em 2010, com a publicação da Circular-Normativa nº01/2010, do Departamento da Qualidade na Saúde, implementar, a nível regional e nacional, respectivamente, um protocolo de abordagem e tratamento do doente com sépsis a que denominaram, por analogia com as do AVC e do EAM, de Via Verde da Sépsis.

Neste momento existem já 9 Unidades Hospitalares com este projecto implementado e estão previstas que iniciam actividade nos próximos meses mais cerca de 10 Unidades Hospitalares, que já realizaram o planeamento e a formação necessários.

Dos resultados que se conseguiram apurar nas primeiras Unidades em funcionamento constatou-se que o doseamento de lactato sérico para identificação dos casos suspeitos de sépsis, que era no estudo inicial realizado na primeira hora em apenas 17% dos casos, passou a ser realizado a quase 100% dos doentes; o antibiótico que era administrado na primeira hora apenas em 10% dos casos, passou a ser em cerca de 50% dos casos e que a mortalidade que era de cerca de 40% passou a ser inferior a 20%.

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