Infecções por adenovírus

DT/DGS/21-04-2004
INFECÇÕES RESPIRATÓRIAS POR ADENOVÍRUS

Informação ao público

O que são adenovírus?
Os adenovírus são vírus de tamanho médio, que contêm uma cadeia dupla de ácido desoxiribonucleico (ADN). Existem 51 serotipos divididos por 6 sub-grupos (A a F) que podem causar infecção em humanos. Alguns dos serotipos estão mais associados a determinadas síndromas ou doenças.

Que doenças causam?
As vias aéreas superiores são o local em que é mais frequente a infecção por adenovírus. As manifestações clínicas podem incluir os sintomas de uma constipação, faringite, amigdalite ou otite média. Em crianças muito pequenas e em adultos imunocomprometidos podem ocorrer, ocasionalmente, situações mais graves como infecção disseminada, pneumonia grave, meningite e encefalite. Com menor frequência, os adenovirus podem causar conjuntivite hemorrágica, bronquiolite, um síndrome semelhante à tosse convulsa, cistite (infecção urinária) e gastroenterite, dependendo do serotipo envolvido.

Como se transmite o vírus?
O vírus transmite-se através de contacto pessoa-a-pessoa, principalmente por inalação de gotículas de secreções respiratórias emitidas por um indivíduo infectado (por exemplo, quando tosse ou espirra), por contacto com objectos contaminados e, em menor grau, por transmissão fecal-oral. Ocasionalmente pode haver transmissão através da água (ex: piscinas).

Qual a sua incidência na comunidade?
Os adenovírus são agentes conhecidos desde há muito e são responsáveis por infecções respiratórias quase sempre de evolução benigna.
Notícia de surtos de infecções respiratórias por adenovírus são mais frequentes no final do Inverno, Primavera e início do Verão, embora a infecção possa ocorrer durante todo o ano.
Estima-se que cerca de 5 a 6% das infecções respiratórias diagnosticadas na população em geral são provocadas por adenovírus. 
Aos hospitais, só chegam os casos mais graves de infecção por adenovírus. Dada a sua gravidade, são os que se tornam alvo de maior divulgação. Não são, no entanto, a forma mais habitual de apresentação da infecção.

Como se trata a infecção por adenovírus?
A maioria das infecções não requer qualquer intervenção terapêutica. As infecções graves por adenovírus necessitam, por vezes, de internamento e de tratamento de suporte específico, incluindo cuidados intensivos e ventilação assistida.

O que se deve fazer para prevenir a infecção por adenovírus?
A sua prevenção a nível da comunidade e em instituições nas quais permanecem crianças (creches, infantários) deve ter em conta regras básicas tais como manter uma boa higiene pessoal e colectiva, com destaque para a lavagem das mãos, não partilhar objectos de uso pessoal (incluindo nebulizadores), proteger a boca e o nariz durante os acessos de tosse ou espirros e arejar as habitações.
Aconselham-se os pais que notarem nos filhos os sintomas evidentes de infecção como febre, diarreia, tosse, conjuntivite, dores de garganta ou outras manifestações que se abstenham de as levar as crianças aos infantários / escolas para evitar o contágio a outras crianças e que procurem o seu médico assistente.
A prevenção da infecção entre doentes ou pessoal dentro do hospital (infecção nosocomial) depende do cumprimento das regras estabelecidas de controle de infecção.
No caso da água das piscinas é necessário manter uma desinfecção  adequada para evitar surtos de conjuntivite e de febre faringoconjuntival por adenovírus.

Não estão indicadas vacinas para as infecções a adenovírus.

A situação em Portugal em 2004
Os dados clínicos e epidemiológicos disponíveis permitem considerar a actividade viral atribuível aos adenovírus como sendo a esperada para a época do ano, não permitindo confirmar a presença de surto ou epidemia. Uma vez que estas infecções não são de notificação obrigatória, a informação sobre a respectiva incidência é recolhida junto dos principais laboratórios de Patologia Clínica dos hospitais centrais do País, bem como do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA).
Nenhum dos laboratórios contactados assinalou aumento de actividade comparada com períodos homólogos de anos anteriores e o Laboratório de Virologia do INSA refere que o tipo do vírus detectado nas últimas investigações pertence ao sub-grupo B que integra os serótipos que estão na etiologia da maioria destas infecções.

Para informação detalhada consulte os comunicados da DGS.

Mais informação sobre adenovírus:
http://www.cdc.gov/ncidod/dvrd/revb/respiratory/eadfeat.htm 

Lisboa, 21 de Abril de 2004